om mais de 800 mortes por Covid-19, Pernambuco pode ser mais um Estado brasileiro a adotar o lockdown. Na Reunião Plenária dessa quinta, os deputados avaliaram a possibilidade de bloqueio total da circulação de pessoas. As ações do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife para frear novos casos de coronavírus também pautaram vários discursos, na sessão transmitida por videoconferência.
Alberto Feitosa, do PSC, apontou que falta planejamento. Ele ainda criticou a abertura de hospitais de campanha em bairros residenciais, e a redução dos ônibus em circulação, gerando aglomeração nos terminais. O parlamentar também cobrou a presença de policiais militares na organização de filas em bancos e no comércio. Para ele, esse contexto de crise motivou o pedido para determinar o lockdown, feito pelo Ministério Público: “A atitude do Ministério Público do Estado de Pernambuco demonstra tudo isso que eu venho falando: a pouca competência, para não dizer a incompetência do Governo, do Estado e da Prefeitura do Recife para administrar essa crise”.
O líder da Oposição na Assembleia, Marco Aurélio Meu Amigo, do PRTB, também criticou os hospitais de campanha. Para o deputado, as gestões deveriam ter usado equipamentos públicos como o Geraldão ou a Arena Pernambuco para acomodar os pacientes. Ele se disse favorável à adoção de medidas mais restritivas de confinamento, mas apelou para que os trabalhadores que fazem entregas sejam deixados de fora do bloqueio. Segundo o deputado, o Governo ainda não teve a coragem necessária para decidir pelo bloqueio total, esperando que a determinação seja dada pela Justiça.
Wanderson Florêncio, do PSC, afirmou que a perspectiva da implantação de um lockdown em Pernambuco é a demonstração de que o Estado está perdendo a guerra contra o coronavírus. Para ele, a falta de sensibilidade e de liderança das gestões estadual e da cidade do Recife contribuíram para o aumento no número de casos da Covid-19. Romário Dias, do PSD, defendeu que a Alepe colabore com o Governo na elaboração de estratégias. O parlamentar sugeriu um documento reunindo ideias não só da Casa, mas de ex-governadores e ex-prefeitos da capital pernambucana. “O governador precisa nesse momento como nunca, e tenho certeza que ele é bastante humilde, pra receber uma sugestão da Assembleia”.
Já Doriel Barros, do PT, destacou que o trabalho da gestão estadual tem evitado mortes pela Covid-19, ao contrário da estratégia do Governo Bolsonaro. “Imagine se o governador Paulo Câmara estivesse fazendo o mesmo que Bolsonaro está fazendo no Brasil. Quantas mortes nós já teríamos aqui em Pernambuco? Com certeza, nós teríamos o dobro ou o triplo de mortes”.
José Queiroz, do PDT, analisou que há um esforço “sobre-humano” do Governo Estadual para conter a pandemia. Segundo ele, não se pode falar que houve negligência, quando países de primeiro mundo, como os Estados Unidos, registram mais de 70 mil mortes. “Ora, Pernambuco não é diferente do mundo. Não é diferente dos Estados. Pernambuco se coloca da mesma forma com o impacto do coronavírus. E, lógico, não estava pronto. Mas há um esforço sobre-humano”.
O iminente colapso do sistema de saúde pública e privada no Brasil em razão da pandemia motivou o discurso do deputado João Paulo, do PCdoB, em favor de um bloqueio mais efetivo no Estado. O deputado destacou o empenho do Governo, da Prefeitura do Recife, da Alepe e da sociedade civil que, de acordo com ele, já salvou mais de duas mil vidas num movimento contrário ao do presidente Jair Bolsonaro. “A negligência dele, como gestor, sobre a pandemia no país fez com que os governadores tomassem à frente do problema em cada Estado. Na verdade, ele até hoje não se mostrou preocupado com esta crise sanitária que estamos enfrentando. Pelo contrário, virou aliado do vírus”.
Ainda na Reunião Plenária dessa quinta, Waldemar Borges, do PSB, Henrique Queiroz Filho, do PL, e Antônio Fernando, do PSC, chamaram a atenção para a responsabilidade da Caixa Econômica em organizar as filas para o pagamento do auxílio emergencial. Dulcicleide Amorim, do PT, fez apelo ao Governo do Estado para que apoie os profissionais da agricultura irrigada, em face da possibilidade do bloqueio total de circulação em Pernambuco. Já o deputado Delegado Erick Lessa, do PP, destacou estudo realizado pela gestão estadual para reforçar o abastecimento d´água no meio rural. Antônio Moraes, do PP, propôs uma ação educativa direcionada aos prefeitos, sobre quais obras públicas podem ser executadas durante a vigência do decreto que definiu as medidas de isolamento social no Estado.
A abertura de UTI no Hospital e Maternidade do Santa Maria, em Araripina, foi anunciada pela deputada Roberta Arraes, do PP. A unidade é composta por dez leitos que, nesse momento, vão atender pacientes graves da Covid-19. “Nesse sentido, já solicitamos a ampliação de mais leitos de UTI e de enfermaria para atender essa região peculiar por sua localização, já que fica tão distante da nossa Capital, o que aumenta ainda mais os riscos com a demora no atendimento.”
A isenção do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direitos, conhecido como ICD, para os herdeiros das vítimas fatais da Covid-19 foi abordada por Fabrízio Ferraz, do PHS. O parlamentar anunciou que fez indicação ao Governo do Estado solicitando a suspensão da cobrança. “A nossa iniciativa busca reparar minimamente os danos que vem sofrendo essas pessoas neste momento. Trabalhar com solidariedade e empatia é o caminho para superarmos essa crise”. Fabrízio ainda fez apelo aos pernambucanos para que mantenham o isolamento social e o uso de máscaras.
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