Representantes do Governo do Estado explicaram na reunião da Comissão de Saúde desta quinta (9) as medidas que estão sendo tomadas para atender os casos suspeitos de intoxicação por metanol em Pernambuco. A secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti, e a presidente da Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa), Karla Baêta, também trataram da fiscalização do comércio de bebidas.

SECRETÁRIA – Zilda Cavalcanti apresentou o protocolo para casos de suspeitos e relatório quadrimestral. Foto: Roberto Soares
De acordo com boletim recente da Secretaria Estadual de Saúde (SES), de 29 notificações de suspeita de intoxicação, 13 já tiveram a relação com o metanol descartada. Foram registrados quatro óbitos — dois deles sem vínculo confirmado com a substância. Os demais casos continuam sob investigação, e parte das análises clínicas indica associação com o consumo de bebidas contaminadas.
Protocolo
Segundo Zilda Cavalcanti, a Secretaria de Saúde foi pioneira no Brasil na criação e distribuição de um protocolo para toda a rede estadual, além de estabelecimentos de saúde privados e municipais. Em casos graves, o paciente deve ser encaminhado para um hospital com UTI e capacidade de fazer hemodiálise. A criação do protocolo teve a colaboração do Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco (Cremepe) e de sociedades médicas especializadas.
A gestora relatou os desafios na identificação da intoxicação por metanol: “Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos da intoxicação por etanol. Por isso, estamos capacitando as equipes para fazer o diagnóstico diferencial e conduzir corretamente cada caso”, explicou a secretária.
A secretária também relatou que foram recebidas 240 ampolas de etanol farmacêutico, medicamento utilizado para tratar da intoxicação por metanol. Ela alertou, porém, que a medicação é apenas parte de um protocolo de redução de danos para a intoxicação, e não uma antídoto que assegure uma cura imediata para esses casos.
Fiscalização
O principal foco para evitar casos de intoxicação por metanol está na fiscalização da venda de bebidas. Para tratar do tema, a Comissão de Saúde também chamou para reunião a presidente da Apevisa, Karla Baêta. Ela ressaltou que o Estado mobilizou todas as vigilâncias sanitárias municipais, além de Fernando de Noronha, em uma força-tarefa de inspeção coordenada pela Apevisa.

APEVISA – Karla Baêta destacou a mobilização das vigilâncias sanitárias municipais na fiscalização de bebidas adulteradas. Foto: Roberto Soares
“Estamos fiscalizando o comércio varejista, ou seja, supermercados, distribuidoras e as festas e eventos de massa. Se tem um evento no final de semana no interior, temos uma equipe inteira fazendo a fiscalização dos drinks ou das garrafas para verificar produtos suspeitos de adulteração”, disse.
Segundo Karla, o esforço também tem a colaboração do Instituto de Criminalística, da Secretaria de Defesa Social. Ela apontou, porém, que as agências de vigilância sanitária fiscalizam a venda de bebidas no varejo, enquanto a fiscalização da produção é atribuição legal do Ministério da Agricultura.
Presidente da Comissão de Saúde, o deputado Sileno Guedes (PSB) cobrou que o Governo esclareça mais rapidamente os casos. “É algo novo e muita coisa está sendo feita, mas precisa que o Governo se organize para dar celeridade ao processo, e tranquilizar a população”, declarou.
Relatório do quadrimestre
A secretária Zilda Cavalcanti também apresentou o relatório das ações da pasta no 2º quadrimestre de 2025. No período que vai de maio a agosto deste ano, o Governo do Estado teve gastos de R$ 4,21 bilhões – cerca de R$ 1,1 bilhão além do piso mínimo de 12% das receitas.
Zilda Cavalcanti deu destaque a ações que melhoram a infraestrutura das unidades de saúde, como reformas nos principais hospitais do estado, e ações que visam garantir a saúde das mulheres, como a entrega do Hospital da Mulher do Agreste, em Caruaru.
“O Hospital da Mulher do Agreste teve quase 700 partos já realizados, e se tornou uma referência para mulheres que, quase na sua totalidade, teriam que ser transferidas para Recife para realizar partos de alto risco”, disse a secretária.
Ela também celebrou a entrada em serviços de quatro unidades móveis de exames e consultas para mulheres, equipamentos chamados pelo Governo de “Carreta da Mulher Pernambucana”.
“Já tivemos mais de 35 mil atendimentos realizados nessas carretas, que resultaram em 20 diagnósticos de câncer. Essas mulheres puderam ser encaminhadas e tratadas precocemente, fazendo uma diferença gigante na sobrevida e na qualidade de vida”
Reformas de hospitais
Zilda Cavalcanti também falou sobre as reformas, aquisição de equipamentos e contratos de manutenção para unidades de saúde no período. Uma das ações informadas foi a aquisição do Hospital Central Nossa Senhora de Aparecida, no mês de junho. Segundo a secretária, a ação foi necessária para viabilizar o fechamento para reforma de alguns andares do Hospital da Restauração , no Recife.
A conclusão da reforma no maior hospital do estado voltou a ser cobrada pelo deputado Sileno Guedes. “A reforma é interminável. Nós estamos entrando agora no quarto ano de Governo, e as obras continuam”, criticou. “Agora foi comprado um novo hospital para dar retaguarda à Restauração, só que na verdade, no começo do governo, se fechou um hospital de retaguarda”, relembrou o parlamentar, referendo-se ao Hospital de Retaguarda em Neurologia (HRN), na Zona Oeste do Recife.
Para o presidente da Comissão de Saúde, faltam resultados concretos da gestão da governadora Raquel Lyra na área. “Quando recebemos a população nos gabinetes e andamos pela rua, todos os dias ouvimos reclamação da população com relação à qualidade do serviço de saúde”, relatou.