Medidas para monitorar e conter o avanço do óleo no litoral nordestino, além de recolher efetivamente os resíduos de petróleo nas praias foram defendidas em vários discursos, nessa segunda, no plenário da Assembleia. Em reação ao que está sendo considerado o maior desastre ambiental do litoral brasileiro, os deputados anunciaram a criação de uma Comissão Especial para investigar as causas do derramamento. Também será realizada, ainda em outubro, audiência pública sobre o tema, na Comissão de Meio Ambiente.
O deputado Romero Sales Filho, do PTB, fez pronunciamento indignado na tribuna, denunciando a omissão do Governo Federal: “A ausência de ações e de resposta atesta a completa inoperância do Governo Federal diante da tragédia ambiental que estamos sofrendo. Estou acompanhando ativamente, e acreditava que fosse posto em prática o plano de contingência instituído por decreto, na resposta para os acidentes de poluição por óleo. Todavia, foi extinto esse decreto e deixou o nosso litoral e turismo vulneráveis às manchas, e há mais de 50 dias estamos sofrendo com a omissão do Governo Federal quanto a essas manchas”.
O deputado João Paulo, do PCdoB, criticou a postura do presidente Bolsonaro diante da tragédia ambiental vivida pelo povo nordestino: “Como é típico do Governo, as teorias da conspiração, os preconceitos, e a incompetência, reinam absolutos sobre a realidade. Vivemos tempos sombrios. O desprezo e o despreparo deste Governo é assombroso. Em menos de um ano, a destruição do Brasil é um fato. Antes fosse fake, ou apenas um filme de mau gosto que estivéssemos sendo obrigados a assistir. Até quando?
João Paulo Costa, do Avante, anunciou ter o número suficiente de assinaturas para a criação de uma Comissão Especial sobre os impactos do vazamento de óleo: “Para saber o que está sendo feito para solucionar esse problema, bem como para propor soluções. Precisamos pensar em ações de prevenção para desastres ambientais, para que o meio ambiente não sofra com os impactos negativos do derramamento do petróleo. As manchas de petróleo cru que têm aparecido nas praias nordestinas desde o dia 30 de agosto vêm afetando a pesca, o turismo na região e, principalmente, o meio ambiente”.
Já o presidente da Comissão de Meio Ambiente, Wanderson Florêncio, do PSC, afirmou que o Governo de Pernambuco subestimou os danos ambientais do derramamento de petróleo: “No dia 15 de outubro, foi tranquilizado o povo de Pernambuco, dizendo que Pernambuco estava livre das manchas de óleo e que o monitoramento estava sendo feito. E, se alguma eventualidade acontecesse, que informasse através do telefone. Então, gente, tá mais do que claro a omissão, a falta de responsabilidade do Governo do Estado de Pernambuco em subestimar o que vinha acontecendo no nosso litoral e também nos outros estados do Nordeste, que poderia ocasionar o que aconteceu agora nos últimos dias”.
O deputado Delegado Erick Lessa, do PP, criticou a viagem do presidente Bolsonaro pela Ásia e Oriente Médio no momento em que o Nordeste enfrenta um desastre de grande magnitude. Teresa Leitão, do PT, cobrou punição para os responsáveis pelo crime ambiental e ressaltou o esforço da população na tentativa de contenção do vazamento.
A Semana de Conscientização sobre a Epidermólise Bolhosa, doença genética caracterizada pela formação de bolhas e lesões na pele, pautou discurso de Dulcicleide Amorim, do PT. A parlamentar fez um apelo para que os deputados destinem emendas visando o fortalecimento da Associação da Epidermólise Bolhosa em Pernambuco. Nessa segunda, a presidente da entidade, Fátima Corrêa, e sua filha Renata, de 39 anos, que tem a doença, foram recebidas pelos deputados, em plenário, onde pediram apoio para as ações da instituição.
A visita da comitiva parlamentar da Alepe à Usina Angra Dois, no Rio de Janeiro, na semana passada, foi registrada por Antonio Fernando, do PSC. O deputado registrou a postura favorável por parte da Igreja Católica em relação ao empreendimento. “Que, no início, quando foi para ser instalado, a igreja e praticamente todas as ONGs da região eram contra mas, agora, se fosse perguntar, não só a igreja, mas todos eram a favor, porque ao longo desses 44 anos só teve, realmente, crescimento.”
José Queiroz, do PDT, que também visitou a usina de Angra, disse que saiu de lá “convencido dos acertos” do empreendimento, mas que ainda é necessário discutir questões como o plano de emergência em caso de acidentes nucleares.
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