
ENCERRAMENTO – Ações da jornada tiveram como mote “Antirracismo é ação, não opção”. Foto: Manu Vitória
Após quatro dias de atividades pautadas pelo combate ao racismo e a valorização da cultura negra, o Legislativo pernambucano encerrou nesta quinta (13) a terceira edição da Jornada Alepe Antirracista. O evento em homenagem ao Mês da Consciência Negra foi finalizado com a entrega da Medalha Antirracista Marta Almeida – Classe Ouro a personalidades e instituições que se destacaram na luta pela igualdade racial e na defesa dos direitos da população negra.
A entrega da honraria aconteceu durante um Grande Expediente Especial. Receberam a medalha Alexandre Alves Araújo, Altamiza Melo Silva, Severino do Ramo Lepê Correia, Valdenice José Raimundo, Vera Regina Paula Baroni e Givânia Maria da Silva, nomes importantes na valorização das lutas de minorias políticas, como mulheres, população LGBTQIAPN+, povos tradicionais e de terreiro.

MILITÂNCIA – Pesquisadora Valdenice Raimundo ressaltou que o combate ao racismo é uma travessia contínua e coletiva. Foto: Manu Vitória
A medalha faz referência a educadora Marta Carmelita Bezerra de Almeida, que foi representante do Movimento Negro Unificado (MNU) em Pernambuco e integrante do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Ao presidir a solenidade, o coordenador da Frente Parlamentar de Combate ao Racismo da Alepe, deputado Doriel Barros (PT), enfatizou que a condecoração representa um ato de reconhecimento à resistência e à dignidade do povo negro.
Barros ainda exaltou as histórias de luta, sentimento de comunidade e coragem dos homenageados. “São trajetórias que nascem dos territórios, das escolas, das organizações populares, da arte e dos movimentos sociais. Histórias que mantêm viva a luta antirracista”, expressou o parlamentar.
Pesquisadora e militante antirracista, Valdenice José Raimundo agradeceu o reconhecimento e destacou a importância das gerações que abriram caminho na luta por igualdade racial. “Essa homenagem não é só nossa. Ela pertence a todas as pessoas que abriram caminhos, às que estão ao nosso lado e às que ainda virão. O antirracismo é uma travessia contínua; um ato diário de reconstrução”, afirmou.
A solenidade contou com a presença dos deputados João Paulo (PT), Dani Portela (PSOL) e Sileno Guedes (PSB), além de Eudes dos Prazeres de França, representando o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE); do reitor da Universidade Católica de Pernambuco, padre Pedro Rubens; e da promotora de Justiça Maísa Silva de Oliveira, além de Marta Almeida, mãe da ativista que deu o nome ao prêmio.
Alepe antirracista

CULTURA – Segundo dia teve palestra com a chef Carmem Virgínia (ao centro) e apresentação do bloco Obirin. Foto: Giovanni Costa
A Alepe é a primeira assembleia do País a instituir uma política antirracista permanente, e a Jornada Antirracista, aberta ao público, é uma das iniciativas que reafirmam esse compromisso. Iniciada na segunda (10), a terceira edição teve atividades culturais, palestras e debates sobre o enfrentamento ao racismo e a valorização da cultura negra.
No primeiro dia, a pós-doutora em Política Antirracista pela Universidade de Brasília (UNB) Carla Akotirene tratou do fomento a políticas de educação antirracistas. Já no segundo encontro, a saúde da população negra no SUS se tornou o centro do debate. A discussão teve participação de Rose Santos, coordenadora nacional de Atenção à Saúde da População Negra do Ministério da Saúde, e Ana Cláudia Rodrigues da Silva, pós-doutora em Saúde Coletiva pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Na última rodada de palestras no evento, Guibson Trindade, comunicólogo e gerente executivo do Pacto de Promoção da Equidade Racial, analisou as barreiras contra a população negra no mercado de trabalho. Num segundo momento, a chef de cozinha Carmen Virgínia deu uma aula sobre empreendedorismo negro, adaptando a linguagem aos alunos do ensino médio da rede pública e privada da plateia.
“A gente precisa falar sobre o negro não só em novembro. Isso precisa ser pauta principalmente nesta Casa que faz as leis”, destacou a empreendedora. “Eu espero que a minha vida sirva de influência e motivação para outras mulheres, outros jovens como esses que estão aqui hoje. Estamos em um caminho sem volta, todo mundo já sabe que a gente tem potência”, prosseguiu.
As ações tiveram como mote “Antirracismo é ação, não opção”. Durante o evento, também foi lançado um curso de ensino a distância (EAD) sobre a temática antirracista, promovido pela Escola do Legislativo de Pernambuco (Elepe) em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco.

SUPERINTENDENTE – Aldemar Santos reafirmou compromisso da Alepe em combater a discriminação. Foto: Giovanni Costa
O superintendente geral da Alepe, Aldemar Santos, confirmou a realização de outras edições da Jornada Alepe Antirracista e afirmou que a articulação da gestão para estabelecer um espaço de diálogo entre palestrantes e a população sobre o racismo deixa um recado muito claro:
“Para esta Casa Legislativa, não é admissível uma sociedade que não admita o negro nos espaços de poder, na academia ou na faculdade. Espero que a gente combata e se imponha contra essa discriminação, para a ter uma sociedade antirracista o mais rápido possível”, disse o superintendente.
















