Deputados podem criar Frente Parlamentar contra a privatização dos bancos públicos

Em 18/09/2017
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A Alepe pode lançar uma Frente Parlamentar contra a privatização dos bancos públicos. O anúncio foi feito durante audiência realizada nessa segunda pela Comissão de Administração Pública, por solicitação do Sindicato dos Bancários de Pernambuco. A presidente da entidade, Suzaneide Rodrigues, defendeu que o controle estatal é necessário para garantir programas sociais como moradia e crédito para o pequeno empreendedor. “O que é que pode acontecer? Naquela cidade, vai diminuir o comércio, você não vai ter mais investimento no Fies, no Prouni, não vai ter mais investimento na educação. O estado deixa o seu papel social enquanto fomentador para ser um estado privatista”.

Ela contestou números que têm sido apresentados pelo Governo Federal para justificar a política de reestruturação. De acordo com Suzaneide, no semestre passado, houve anúncio de lucros da ordem de 5,2 bilhões de reais no Banco do Brasil, e 4,1 bilhões de reais da Caixa Econômica.

Autora do requerimento para criação da Frente na Alepe, a deputada Teresa Leitão, do PT, também classificou como equivocado o discurso de que os bancos são deficitários.

A parlamentar sugeriu o levantamento de dados que  demonstrem, de forma objetiva, o alcance do sistema bancário público. Ela disse que as ações em Pernambuco devem ser coordenadas com um movimento nacional. “Já há uma Frente nacional mista, composta pela Câmara Federal e pelo Senado, e a ideia é que essa Frente se replique em todos os estados. Um banco público não é simplesmente um integrante do sistema financeiro, ele tem outras tarefas e esse problema pode colocar em risco milhões de brasileiros que dependem dessas políticas”.

Prefeito de São José do Belmonte, no Sertão Central, entre os anos de 2005 e 2011, o deputado Rogério Leão, do PR, destacou a importância que teve a agência do Banco do Brasil no município para a sua gestão. Embora a cidade conte com o Bradesco, na avaliação do parlamentar, a instituição privada só tem interesse nas operações  que geram lucro  imediato.

O fechamento das agências por falta de segurança foi outro tema discutido na audiência. O presidente da Comissão de Administração Pública, Lucas Ramos, do PSB, lamentou que a ação de bandidos esteja obrigando a população a se deslocar para ter acesso ao serviço, além de estar causando prejuízo ao comércio.

A criação da Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos terá que ser submetida ao Plenário. O procedimento é necessário porque a Assembleia já conta com mais de quatro Frentes em funcionamento. Como primeira tarefa, os deputados querem ouvir o setor patronal, que não enviou representantes ao evento dessa segunda. Eles também querem investigar os impactos da reforma trabalhista nas instituições.