Paulo Rubem acusa o Governo de favorecer grupo que opera em Suape Olíder do PT, deputado Paulo Rubem, protestou ontem, na Assembléia Legislativa, contra as pressões do secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Eduardo Cadoca, que tenta forçar o Sindicato dos Portuários a aceitar as imposições de um grupo filipino. Assegurou que as exigências do grupo, descabidas e prejudiciais, são vistas com reservas também pelos empresários, que temem efeitos prejudiciais para todos.
Paulo Rubem esclareceu que “os portuários, através do órgão de classe, decidiram abrir mão de parcela da remuneração e assim contribuir para o êxito da lei de modernização. Apesar disso, o secretário Carlos Eduardo Cadoca, aliado ao grupo filipino, insiste em implantar um regime de escravidão no Terminal de Contêineres, fato que contraria a lei de modernização, pois ele não tem competência jurídica, nem administrativa”.
O líder petista considerou inadmisiveis as pressões do secretário de Desenvolvimento, estranhou as suas preferências pelo grupo filipino, que vem se esmerando em reivindicar vantagens, favores. “Os arquitetos de tais manobras – lembrou – na verdade buscam ter o monopólio das operações em Suape, com aval do Governo, apesar das fragilidades e conflitos de operação que vêm ocorrendo”.
Em Suape Com o aval do deputado Romário Dias e representando a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Paulo Rubem foi a Suape para ver em detalhes os problemas denunciados pelos trabalhadores portuários.
Em companhia do gerente regional da operadora Caravel, Mauro Mioto, dos líderes portuários, entre os quais os presidentes dos sindicatos dos Portuários, dos Conferentes, dos Arrumadores e dos Serviços de Blocos dos Portos de Pernambuco, o parlamentar percorreu as instalações da Caravel e da Tecon, do grupo filipino. E foi claro: não entende nem se conforma com o fato da Tecon, de janeiro a março, haver operado apenas um navio em Suape, enquanto a Caravel somente neste mês já recebeu mais de 20 cargueiros de cabotagem e longo curso.
Os trabalhadores externaram a Paulo Rubem que a situação é esdrúxula, pois Pernambuco está perdendo muito dinheiro com a política de proteção à Tecon. Ao mesmo tempo, ninguém vê bom senso nas áreas públicas de acostagem de dois pátios, estarem cercadas pela Tecon, impedindo sua utilização, com visível prejuízo operacional. De um lado, movimento, homens e máquinas trabalhando, containers chegando e saindo; do outro, pátios enormes, paralisados, containers esparsos. Por isso, a reivindicação de reabrir o pátio facilitando as operações.
Diante do impasse, a Caravel estuda uma ação judicial, enquanto Paulo Rubem vai sugerir nova visita à Comissão de Desenvolvimento e até mesmo buscar apoio do Ministério Público para por fim à política governamental de apoio ostensivo de protecionismo ao grupo filipino. “Há um leque de impedimentos para nós e de beneficiamento para a Tecon”, desabafa o gerente Mauro Miolo, que veio de São Paulo em 1992 para fixar-se definitivamente em Pernambuco. Já Paulo Rubem insiste: “O Estado tem de entender que o fechamento dos pátios somente cria dificuldade prejuízos por envolver o setor econômico”.
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