Saúde apura as mortes com rigor

Em 28/03/2002 - 00:00
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Saúde apura as mortes com rigor As inúmeras perguntas que continuaram sem resposta, mesmo depois da audiência pública realizada ontem, em conjunto, pelas Comissões de Saúde e de Cidadania da Assembléia Legislativa, serão transformadas em um questionário e enviadas à comissão especial designada pela Secretaria de Saúde para investigar a causa das mortes ocorridas na Casa de Saúde Santa Efigênia, em Caruaru. A comissão especial tem até o próximo dia 13 para responder à lista de perguntas.

Há duas semanas foi levantada a suspeita de intoxicação de pacientes de Caruaru por uso do soro Ringer Lactato, produzido pelo laboratório cearense Farmace. O assunto foi tema da audiência realizada ontem, na Assembléia. O presidente da Comissão de Cidadania, deputado João Braga (PV), lembrou o “escândalo da hemodiálise”, ocorrido há cinco anos, e questionou a forma como as investigações foram conduzidas e o fato de ninguém ter sido responsabilizado pelas mortes. “Não sei se, caso as atitudes tomadas na época tivessem sido outras, essas mortes teriam acontecido agora”, questionou.

Sérgio Novaes, filho de uma das vítimas, questionou a forma como a avaliação das amostras do soro está sendo feita. “No caso do soro da Endomed, apesar do reator ter a capacidade de produção limitada a 5 mil litros, o lote infectado era de 48 mil litros. Precisamos descobrir se o mesmo não ocorreu agora, com o soro da Farmace. Quem pode garantir que essas mil unidades separadas pela Vigilância Sanitária para avaliação foram produzidas em um mesmo reator ?”, questionou.

O diretor da Vigilância Sanitária, Jaime Brito, falou sobre a dificuldades em controlar a qualidade dos medicamentos utilizados nos 450 hospitais do Estado.

“Fazemos os testes por amostragem. É impossível fazer isso com todos os milhares de medicamentos que entram nos hospitais, distribuidoras e farmácias do Estado. Temos diversos medicamentos em análises que ainda não foram concluídas”. O diretor disse ainda que todos os lotes de medicamentos que saem dos laboratórios apresentam um laudo de 90análise do controle de qualidade.

Esse laudo é dado pelo próprio laboratório fabricante dos medicamentos.

O presidente da Comissão de Saúde, Garibaldi Gurgel (PMDB), sugeriu que as soluções de grande volume, como os soros, devem receber um atestado da Vigilância Sanitária do Estado. O deputado Henrique Queiroz (PPB) cobrou mais agilidade da Vigilância Sanitária, que ainda não apresentou um laudo conclusivo sobre o caso. Foram ouvidos ainda, durante a audiência, o presidente da Casa de Saúde Santa Efigênia, Severino Ferreira Omena; o advogado do laboratório Farmace, Adriano Parente; o presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores de Caruaru, Onofre Barroso e o delegado de Caruaru, Alexandre Gustavo Veras.

Ao final, ficou decidido que na próxima quarta-feira (03) os deputados realizam uma audiência interna para definir as perguntas que farão parte do questionário que será entregue à comissão da Secretaria de Saúde, além de avaliar os relatórios preliminares apresentados pela Secretaria de Saúde do Estado e pela Clínica Santa Efigênia. Além disso, os deputados farão uma visita ao Tribunal de Justiça a fim de colher mais informações sobre o caso e cobrar mais rigor no julgamento dos fatos. A próxima audiência pública será realizada depois do dia 13 de abril, quando a Secretaria de Saúde apresentará os laudos definitivos.