
MEMÓRIA – Audiência reuniu representantes da tradição juremeira, parlamentares e ativistas. Foto: Roberta Guimarães
O reconhecimento da Rua da Guia, no Bairro do Recife, como território sagrado da jurema e patrimônio ancestral de Pernambuco foi objetivo da audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura da Alepe, nesta quarta (17).
A história da rua tem relação com a cultura, a boemia e a devoção popular da capital pernambucana. Ficou historicamente conhecida como endereço de entidades espirituais, a exemplo da Mestra Ritinha, figura importante na tradição da jurema.
A juremeira Mãe Kelly falou sobre a relação com o local. “Eu não passo ali com um olhar turístico, mas com um olhar de fé, de orgulho. É o mesmo lugar onde esteve Mestra Ritinha, com quem eu trabalho e que me faz feliz há tantos anos. Ela esteve lá, viva, é viva até hoje e jamais irá morrer”, ressaltou.
Ancestralidade
O deputado João Paulo do PT (PT), que solicitou a audiência, afirmou que a Rua da Guia representa memória, ancestralidade e patrimônio cultural do povo pernambucano. “É um espaço de encontro, celebração e transmissão de saberes. Essa dimensão cultural, espiritual e humana precisa ser reconhecida, respeitada e protegida”, declarou o parlamentar.

TRADIÇÃO – Mãe Kelly destacou a importância espiritual da Rua da Guia e sua ligação com Mestra Ritinha. Foto: Roberta Guimarães
“A Rua da Guia é um território que carrega marcas profundas da presença afroindígena e da resistência dos povos tradicionais que ajudaram a construir a identidade do nosso estado”, completou.
Durante o encontro, foram destacadas iniciativas legislativas de valorização das religiões de matriz africana e de combate à intolerância religiosa. A deputada Rosa Amorim (PT) mencionou a Lei Estadual nº 18.541/2024, originada de projeto da parlamentar, que estabelece o Dia Estadual da Juremeira e do Juremeiro.
“Uma data de reconhecimento daqueles e daquelas que mantêm viva uma das mais importantes expressões espirituais, culturais e identitárias do seu povo. Celebrar o povo juremeiro é reconhecer sua contribuição histórica para Pernambuco e combater séculos de invisibilização do racismo religioso”, apontou. Rosa Amorim informou, ainda, que fez uma indicação ao Governo para que a jurema sagrada seja reconhecida como patrimônio cultural de Pernambuco.
Já Dani Portela (PT) citou o Projeto de Lei nº 3962/2026, que propõe a inclusão do nome do líder quilombola João Batista, o Malunguinho, no Livro do Panteão dos Heróis e das Heroínas de Pernambuco – Fernando Santa Cruz. O texto já foi aprovado pela Comissão de Justiça e segue em tramitação.
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