Fazer amigos, criar memórias e adquirir conhecimentos. A vivência escolar pode ser um período de muitas alegrias e boas lembranças, mas a pressão do vestibular, o estresse e outras questões podem levar os estudantes a passarem por quadros de dificuldades emocionais, como ansiedade e depressão.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 1 em cada 7 jovens entre 10 e 19 anos no mundo vive com algum transtorno mental. No Brasil, o cenário também é preocupante. Segundo levantamento da Fundação Oswaldo Cruz, realizado após a pandemia de covid-19, houve aumento significativo de sintomas de ansiedade e depressão entre adolescentes brasileiros, especialmente relacionados ao isolamento social e ao uso intensivo de tecnologias.

GERAÇÃO – Guilherme Arthur defendeu o cuidado com a saúde mental. Foto: Anju Monteiro
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, aponta que cerca de 30% dos estudantes já relataram sentir-se muito tristes ou sem esperança e mais de 10% afirmaram ter pensado seriamente em tirar a própria vida. Por isso, é importante que a escola vá além do ensino tradicional e se torne também um espaço de acolhimento, escuta e prevenção.
Em Pernambuco, o olhar sobre a saúde mental dos estudantes foi instituído pela Lei nº 18.364/2023, que cria a Política de Saúde Mental na Rede de Ensino do Estado. Desde 2023, a norma busca promover a valorização da vida, o bem-estar psicossocial e a prevenção de transtornos mentais que possam ser vivenciados pelos estudantes e profissionais da educação do sistema público e privado de ensino. O projeto que deu origem à lei foi assinado pela deputada Delegada Gleide Ângelo (PP).
A iniciativa pretende desburocratizar o acesso aos serviços relacionados à saúde mental por meio de uma escuta humanizada, garantindo o máximo sigilo nas informações pessoais de cada paciente. Além disso, a política procura uma união dos poderes municipais, estadual e federal para a criação de campanhas nas instituições de ensino, fortalecendo a relação aluno-professor na identificação dos sinais de desordem na saúde mental.
Guilherme Arthur, de 17 anos, é estudante da Escola de Referência em Ensino Médio Senador Paulo Pessoa Guerra, localizada no bairro de Tejipió, zona oeste do Recife. Para ele, a chamada geração Z precisa estar atenta ao tema.
“A gente tá numa geração que a saúde mental chegou a um nível muito elevado. Hoje em dia, com qualquer coisa ficamos com a mente muito perturbada, agitada, o que gera muito desconforto, ansiedade e preocupação. Então, é algo que a gente tem que cuidar”, afirmou.

APOIO – Tainá Campelo salientou a necessidade da presença de psicólogos nas escolas. Foto: Anju Monteiro
Já a estudante Tainá Campelo, de 16 anos, sente falta de maior atenção do poder público aos dilemas dos estudantes. “Falta participação não só da escola, como de fora da escola, para poder acompanhar se tem alguns alunos necessitados. E é necessário, sim, trazer psicólogos para todas as escolas”, disse.
Iniciativa

PROGRAMA – Yasmin Albuquerque explicou o funcionamento do Entrelaços. Foto: Anju Monteiro
Como desdobramento da política estadual, o Governo de Pernambuco lançou, em 2025, o programa Entrelaços, que visa promover o cuidado com a saúde mental, a prevenção da violência e a criação de ambientes escolares acolhedores na rede estadual de ensino.
A psicóloga Yasmin Albuquerque trabalhou na formatação do projeto e hoje emprega-o na escola. “O Entrelaços tem como foco principal a promoção da saúde mental e a prevenção e o enfrentamento das múltiplas violências no ambiente escolar. Então, aqui temos atividades mensais para identificar quais são as necessidades pontuais das escolas para que a gente faça dinâmicas com os alunos de acordo com essas necessidades particulares”, pontuou.

ALERTA – João Danilo destacou os impactos do uso excessivo de telas. Foto: Nivaldo Francisco
Professor de educação física, João Danilo destacou a importância do auxílio dos psicólogos ao trabalho dos professores no dia a dia com os alunos, e alertou sobre o impacto do uso excessivo de telas pelos estudantes.
“Hoje em dia, a maioria dos alunos desperdiça muita dopamina em coisas que não são produtivas, que estão na palma da mão deles: o celular. A aula precisa ser muito atrativa para que eles botem o foco na sala de aula, no professor”, afirmou.
Se você está passando por problemas e necessita de ajuda ou suporte emocional, procure a orientação psicológica da sua escola. Converse com amigos, pais ou responsáveis. Você também pode ligar para o número 188 e falar com o Centro de Valorização da Vida (CVV).
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