
ARTE – Participantes aprenderam sobre cordel e cianotipia, antiga técnica de revelação fotográfica. Foto: Divulgação/Alepe
O legado de Joaquim Nabuco foi tema de uma atividade promovida pela Biblioteca da Alepe na comunidade quilombola Águas Claras, em Triunfo (Sertão do Pajeú). Realizada no último sábado (6), a ação ofereceu oficinas de cordel e de cianotipia, uma antiga técnica de revelação de fotografias.
A iniciativa teve como objetivo utilizar a arte como ferramenta de sensibilização e conscientização coletiva. Os moradores revisitaram a história e a memória da comunidade e discutiram sobre a importância de se manterem ativos para conquistar e consolidar direitos.
A oficina de cordel foi ministrada pelo poeta e servidor da casa Alexandre Morais. Já a de cianotipia ficou a cargo do fotógrafo Douglas Fagner, que elogiou o engajamento dos alunos. “Foi fantástico ver como a comunidade entendeu a mensagem, se envolveu e produziu com tanta qualidade. Uma atividade motivadora também para a gente que mediou”, disse.
A líder comunitária Gilda Ferreira traduziu o momento em versos: “E assim, do nosso jeito / Vimos tudo melhorar / Nós ganhamos mais respeito / Vimos mudança chegar / E ganhar conhecimento / Fez nosso povo mudar”.
Distante 12 quilômetros do centro de Triunfo, o quilombo Águas Claras foi povoado por volta de 1850. Ainda é possível encontrar casas construídas em estilo original, com barro e pedras. A comunidade é formada por aproximadamente 50 famílias e foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Palmares em 2008.
Joaquim Nabuco
Nascido em 19 de agosto de 1849, Joaquim Nabuco foi uma das figuras centrais na luta pela abolição da escravatura no Brasil. Para a gerente da Biblioteca, Sirlênia Araújo, resgatar a memória do abolicionista por meio do cordel reforça a importância de aproximar a população da poesia e das tradições históricas e culturais do estado.
“Falar de Joaquim Nabuco em cordel é uma forma de valorizar o seu legado e, ao mesmo tempo, mostrar que nossa cultura tem força para contar e preservar a nossa história”, destacou a servidora.
Café com Poesia
Uma outra ação em homenagem ao patrono da Alepe foi realizada pela Biblioteca no dia 28 de agosto, durante uma edição do projeto Café com Poesia. A iniciativa, no auditório Sérgio Guerra, também celebrou o mês do folclore, reunindo estudantes, poetas e personagens da cultura popular pernambucana.

POESIA – Deputado, estudantes e poetas participaram de tributo a Joaquim Nabuco em agosto. Foto: Anju Monteiro
Ao participar do evento, o deputado Renato Antunes (PL), presidente da Comissão de Educação, reforçou o prestígio do projeto para o legislativo pernambucano. “O Café com Poesia é uma iniciativa que valoriza a nossa cultura. É um trabalho belíssimo que valoriza o espaço mais democrático que existe, que é uma biblioteca”, declarou.
A programação contou com a recitação de versos por poetas como Cícero Lins, Lúcia Costa, Madalena Castro, Giselda Pereira e Jean Lima. Também houve encenações de lendas do folclore e a apresentação do Coral Vozes de Pernambuco, formado por servidores da Casa.
Estudantes
O destaque, no entanto, ficou por conta da participação dos estudantes das escolas da rede pública do estado, que animaram o encontro com danças e poesia. Para Wendler Mikael, aluno do 1° ano do ensino médio da Escola Técnica Estadual Ginásio Pernambucano, a experiência foi marcante.
“Eu não conhecia os poetas, aqueles escritores. Passei a conhecer hoje e foi maravilhoso entender um pouco das escritas deles. Também conheci um pouco mais de Joaquim Nabuco. Foi maravilhoso.”
As palavras do estudante dialogam com as rimas do poema que dedicou ao abolicionista:
“Ergueu-se contra grilhões e correntes, com alma de fogo e ideias ardentes…/ Plantou liberdade, colheu esperança”, lembrando a força e o legado de do patrono da Alepe para Pernambuco e para o país.