
RECUO – “A própria lógica do bolsonarismo visa à discriminação social e racial”, opinou o deputado. Foto: Nando Chiappetta
No Mês da Consciência Negra, o deputado João Paulo (PCdoB) ocupou a tribuna da Reunião Plenária para tratar, nesta quarta (10), da discriminação racial no Brasil. O parlamentar entende que, apesar dos avanços obtidos por ação dos movimentos sociais, o problema persiste. Ele também apontou o que considera “recuos no combate ao racismo” por parte do Governo Bolsonaro.
“Nas gestões dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, havia uma política social inclusiva, que reduziu a miséria e possibilitou que as pessoas de baixa renda, na maioria negras, tivessem mais acesso a educação, saúde e emprego”, disse o comunista. “Mas, na gestão de Jair Bolsonaro, o racismo tem avançado de todas as formas. A própria lógica do bolsonarismo visa à discriminação social e racial.”
João Paulo apresentou dados para demonstrar o aprofundamento das diferenças entre brancos e pretos durante a pandemia. “No Brasil, a cor e a classe social são fatores de risco”, frisou. Ele comentou dois estudos recentes do Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde Pública, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e do Instituto Polis. A análise apresenta estatísticas de vítimas da Covid-19, considerando raça e posição social: “Dos contaminados, quase 55% dos pretos e pardos vão a óbito. Entre os brancos, a taxa ficou em 38%”.
Para o deputado, a estrutura do modo de produção capitalista conduziu a esse cenário. “Além do racismo velado, existe aquele aberto, observado na atitude da polícia, por exemplo, que, em geral, culpabiliza o negro antecipadamente. Os serviços com remuneração mais baixa são reservados aos pretos. Eles ganham menos e têm mais dificuldade para obter emprego, mesmo quando possuem nível educacional maior. Por isso, não basta não ser racista, tem de ser antirracista.”
Em aparte, o deputado Doriel Barros (PT) reforçou que “a luta do povo negro por dignidade e igualdade de direitos não tem fim, porque as oportunidades para eles são diferentes”. “E o Governo Bolsonaro só fez a situação piorar”, completou. Por outro lado, o deputado Alberto Feitosa (PSC) lembrou que uma grande parcela da Polícia Militar é de origem negra. “Portanto, a corporação não pode ser racista.”
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