João Paulo lamenta avanço da fome no Brasil

Em 15/04/2021 - 16:42
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DESIGUALDADE – “A situação atinge, principalmente, os domicílios chefiados por mulheres e pessoas negras.” Foto: Jarbas Araújo

O deputado João Paulo (PCdoB) voltou a alertar, na Reunião Plenária desta quinta (15), para o avanço da fome no Brasil. “Apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, nosso País possui 116,8 milhões de cidadãos que não sabem se haverá comida suficiente em casa no dia seguinte”, lamentou.

O número refere-se aos brasileiros que não têm acesso pleno e permanente a alimentos, conforme estudo da Rede de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan). O trabalho mostra, ainda, que 19,1 milhões (9% da população) passam fome, ou seja, vivem em insegurança alimentar grave.

Comparando o momento atual aos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma, quando o País saiu do Mapa da Fome, o comunista apontou nas raízes do problema “a incompetência e o neoliberalismo” da gestão Bolsonaro. Para o deputado, o modelo econômico e a má gestão durante a pandemia provocaram o crescimento, entre 2018 e 2020, de 27,6% no número de pessoas que passam fome. “A situação atinge, principalmente, os domicílios chefiados por mulheres e pessoas negras.”

“A crise do novo coronavírus soma-se a uma onda de fome, tragédia tão grave quanto a pandemia. Ambas causam dor e sofrimento. E o cenário é sombrio, pois vem acompanhado de um projeto de destruição do País”, prosseguiu João Paulo, citando o aumento das desigualdades e a redução do valor e do alcance do auxílio emergencial federal, após quatro meses de interrupção do pagamento. “No modelo atual, só restarão os que morrem de fome e os bilionários da Forbes”, advertiu.

Em aparte, a deputada Jô Cavalcanti, titular do mandato coletivo Juntas (PSOL), defendeu a implantação de um projeto de renda básica nacional. “O Brasil tem recursos para destinar à população pobre e não o faz”, acredita. Doriel Barros (PT) relacionou o aumento da fome ao desmonte de políticas estruturais, como a redução de verbas para a agricultura familiar: “O agronegócio bate recorde de produção, mas é para exportação. São os pequenos que alimentam a sociedade”.

“O que está faltando no Brasil é Governo Federal. Por isso, a gente tem que agir pelo impeachment de Bolsonaro”, emendou Teresa Leitão (PT), no que foi apoiada por Aluísio Lessa (PSB). “Chegamos a mais de 360 mil mortos e não vemos reação. Em vez da retomada do crescimento econômico, a massa de desempregados cresce a cada dia, a fome campeia e o presidente continua desrespeitando a nação”, aparteou.

Para José Queiroz (PDT), Jair Bolsonaro adota “comportamento de crueldade com o povo brasileiro”. Romário Dias (PSD) sugeriu providências da Assembleia em defesa da população desassistida.