Resumo do Plenário: violência contra a mulher concentra discussões em reunião

Em 25/06/2019
-A A+

O Plenário da Assembleia Legislativa aprovou, em Primeira Discussão, a Proposta de Emenda Constitucional que pode ajudar a proteger as mulheres em Pernambuco. A medida inclui no texto constitucional que o Estado e os municípios devem combater todas as formas de violência e de discriminação contra a mulher. A deputada Delegada Gleide Ângelo, do PSB, autora da matéria, fez um apelo pela aprovação da PEC. “Porque essa luta não é das mulheres, essa luta é de toda a sociedade. A gente quer democracia, então não existe democracia sem justiça social e não existe justiça social sem igualdade.”

O deputado estadual Marco Aurélio Meu Amigo, do PRTB, se defendeu da denúncia de agressão física e psicológica feita pela esposa dele, no último domingo. O parlamentar disse que foi surpreendido com as acusações e que está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos. “Eu não quero aqui ser o bonzinho da história e nem estou querendo dizer que a minha ex-mulher é ruim. Eu estou querendo dizer que o que houve foi o fim de uma relação, onde eu saí, respeitosamente, da minha parte, de dentro da minha casa, dizendo ‘não quero mais viver com você’.”

A deputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, lamentou o assassinato da agente de saúde Márcia Araújo da Silva, de 44 anos. Na última segunda, ela teria sido empurrada da laje do apartamento onde morava na Zona Norte do Recife, pelo então companheiro. A parlamentar alertou que a violência começa de forma sútil, mas pode terminar em feminicídio.

A retomada da contratação de médicos cubanos para fazer o atendimento da população pernambucana foi comemorada pelo deputado João Paulo, do PCdoB. Ele parabenizou a iniciativa, que é do Consórcio Nordeste, em parceria com a Organização Pan-americana de Saúde.

O aumento da incidência de transtornos mentais e dos casos de suicídio entre adolescentes foi abordado pela deputada Simone Santana, do PSB. Ela é autora do projeto de lei aprovado em Primeira Discussão, que obriga estabelecimentos de saúde a notificarem ocorrências de violência autoprovocada. “Um recurso de desespero usado como válvula de escape para dores emocionais. Os jovens estão se cortando, se mutilando, se queimam e tentam acabar com a própria vida para atenuar aflições profundas.”

Os deputados fizeram um minuto de silêncio pela morte de Elzita Santa Cruz, mais conhecida como Dona Zita, símbolo da luta contra a ditadura militar em Pernambuco. Ela era mãe do desaparecido político Fernando Santa Cruz e travou, ao longo de décadas, uma luta para achar o filho.  O deputado Antônio Moraes, do PP, fez uma homenagem a Dona Zita, que faleceu aos 105 anos, na madrugada dessa terça. Outra homenagem póstuma foi feita ao conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco, João Henrique Carneiro Campos. Ele morreu no último sábado, aos 49 anos, vítima de um ataque cardíaco.

A redução gradativa do uso de carroças em Pernambuco foi defendida pelo deputado Romero Albuquerque, do PP. Ele pediu políticas públicas para reinserção social dos carroceiros e se posicionou sobre a prática de atos de violência contra os animais.

“A eles, aos animais, é permitida a exploração, a violência, o trabalho exaustivo, a falta de higiene, a alimentação irregular. Tudo em nome de uma servidão absoluta ao homem, que desfruta dessa relação com o exercício de poder e dominação.” Os deputados João Paulo, do PCdoB, e Tony Gel, do MDB, defenderam a discussão aprofundada do tema para que as pessoas que dependem das carroças para atividades econômicas não sejam prejudicadas.