A participação da atriz Regina Duarte no guia eleitoral do candidato à Presidência da República José Serra e a repercussão nacional que o fato provocou foi o alvo de pronunciamento, ontem, do deputado Sérgio Pinho Alves (PSDB), na Assembléia Legislativa. O parlamentar fez um discurso criticando a polêmica em torno da atitude da atriz. Ele recebeu apartes de apoio do primeiro-secretário, deputado João Negromonte (PMDB), e dos deputados Augusto César (PSDB) e Hélio Urquisa (PMDB). Por outro lado, os deputados Sérgio Leite (PT) e José Queiroz (PDT) rebateram o posicionamento.
“Está havendo um patrulhamento ideológico nas discussões políticas. Algumas pessoas esquecem que, no Brasil, vive-se um período democrático. Há aqueles que não conseguem conviver com os contrários”, disparou Pinho Alves, defendendo o direito de expressão do pensamento. “Dá medo viver num clima no qual as pessoas não possam expressar seus sentimentos”, completou, protestando contra as críticas ao depoimento de Regina Duarte.
Por sua vez, o deputado Sérgio Leite (PT) afirma que a atriz “maculou e sujou sua carreira” ao participar do guia eleitoral de Serra. “Se fosse uma manifestação espontânea, não precisava ir para o guia”. Determinados artistas não podem se vender, disse, informando que haverá, no Rio de Janeiro, uma manifestação espontânea de artistas em favor da campanha do candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Para João Negromonte, as críticas ao posicionamento da atriz “são fruto de ela ter tocado na ferida dos que votam em Lula e têm medo de um possível governo do PT”. “A intolerância é um péssimo sinal que o PT dá à sociedade”, observou. Os deputados Augusto César e Hélio Urquisa também defenderam o guia de José Serra.
“Dizer que as pessoas são compradas é uma acusação muito séria”, afirmou César, enquanto Urquisa ponderou que “Regina Duarte refletiu o pensamento de mais de 30 milhões de pessoas”.
“A discussão é outra. Não pode ser restrita a Regina ou a Paloma Duarte. Lula está recebendo apoios e vai impor uma humilhante derrota a um governo (FHC) que termina de forma lamentável”, assinalou, por outro lado, o deputado José Queiroz.
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