
DESENVOLVIMENTO – Encontro debateu impacto da obra hídrica para o Sertão pernambucano. Foto: Nando Chiappetta
A defesa do Canal Adutor do Sertão Pernambucano, que prevê levar água do rio São Francisco para o oeste do estado, motivou audiência pública da Comissão de Agricultura realizada nesta terça (5). A obra deve beneficiar 138,6 mil pessoas e abranger áreas dos municípios de Petrolina, Afrânio, Dormentes, Santa Filomena, Santa Cruz, Ouricuri, Trindade, Araripina, Ipubi, Bodocó, Granito, Exu, Parnamirim, Moreilândia, Cedro e Serrita.
Segundo informações da Secretaria Estadual de Recursos Hídricos e Saneamento, o projeto está em fase de estudos, aquisição de terras, implantação de infraestrutura básica de uso comum e medidas de proteção ambiental, executadas pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).
Potencial econômico

GOVERNO – Artur Coutinho apresentou dados sobre o potencial agrícola da irrigação do Sertão. Foto: Nando Chiappetta
O secretário executivo de Saneamento de Pernambuco, Artur Coutinho, destacou o potencial agrícola do empreendimento. Segundo ele, serão mais de 200 mil hectares irrigados, com a possibilidade de perenização de alguns rios. “O solo dos sertões do Araripe e do São Francisco é muito fértil. Temos um potencial imenso a explorar, equivalente a dez ou 12 Petrolinas, com a geração de 600 mil empregos diretos e indiretos”, observou o gestor.
O ex-deputado estadual Antonio Fernando, representante do Sertão do Araripe, informou que o custo aproximado de execução é de R$ 7 bilhões, com geração de R$ 15 bilhões anuais após a conclusão da obra. “Além de água para produção de alimentos, existe a possibilidade de ter também água para consumo humano e animal. Isso poderia abolir o uso de carros-pipa, um custo que hoje chega a R$ 500 milhões por ano”, pontuou.
Parlamentares
O deputado Eriberto Filho (PSB) frisou que o Canal vai ser importante para potencializar arranjos produtivos locais como o polo gesseiro e a fruticultura. “Essa obra pode permitir que os agricultores tenham condição de plantar o ano inteiro e impulsionar novos investimentos para o interior do estado. O Canal dialoga diretamente com segurança alimentar, desenvolvimento sustentável e combate às desigualdades regionais”, considerou.

PRESIDENTE – Luciano Duque destacou o Canal como eixo central para o desenvolvimento de Pernambuco. Foto: Nando Chiappetta
O deputado Jarbas Filho (PSD) apoiou a união de forças entre Alepe, Governo de Pernambuco e União, para viabilizar o Canal. “Sugiro que seja criado um Grupo de Trabalho, liderado pelo Governo do Estado, com diversos órgãos e setores envolvidos, para dar o pontapé inicial nessa discussão, com ações concretas”, apontou o parlamentar.
A deputada Socorro Pimentel (PSD), líder do Governo na Assembleia Legislativa, anunciou que vai criar uma Comissão Especial em defesa do Canal do Sertão. “Hoje, talvez, a região com maior dificuldade hídrica seja o Sertão do Araripe. Vamos juntar as forças, o esforço que for preciso, e o Canal do Sertão será uma realidade”, afirmou.

COMPROMISSO – Socorro Pimentel anunciou criação de comissão especial para defender a obra. Foto: Nando Chiappetta
O presidente do colegiado de Agricultura, deputado Luciano Duque (Podemos), considerou que o Canal do Sertão é uma das três principais obras para o desenvolvimento de Pernambuco, ao lado da duplicação da BR-232 e da ferrovia transnordestina. Ele também disse que a iniciativa deve ser acompanhada por outros investimentos.
“Precisa estar integrada a políticas públicas, assistência técnica, crédito rural, distribuição de insumos, apoio à produção. Essa visão estratégica precisa guiar o debate, porque o desenvolvimento de Pernambuco passa pelo desenvolvimento dessa região”, pontuou o parlamentar.
PPP
O secretário Artur Coutinho levantou a possibilidade de uma parceria público-privada (PPP) para facilitar o financiamento da obra. “Talvez devêssemos discutir modelos econômicos para que o Estado faça a sua parte, mas, também, para atrair a iniciativa privada. Como alavancar, só via PAC, um recurso dessa ordem de grandeza?”, indagou.
O ex-prefeito de Araripina e ex-deputado estadual Raimundo Pimentel lembrou a discussão sobre a transposição do rio São Francisco, no início dos anos 2000, quando era parlamentar na Alepe. Para ele, faltou mobilização dos políticos de Pernambuco à época, para incluir o Canal do Sertão como um terceiro eixo da transposição no estado.
“Perdemos essa janela e, agora, precisamos abraçar esse grande projeto e sensibilizar a classe política pernambucana. Só depende de nós, porque atende a 15 municípios pernambucanos, então não vai haver mobilização de outros estados do Nordeste, como houve com a transposição”, defendeu.
Também participaram da audiência pública o coordenador do Comitê Central de Luta pelo Canal do Sertão, Gildevan Tavares; o vice-prefeito do município de Trindade, no Sertão do Araripe, Paulo Renee, e o padre Luciano Lima, do projeto de irrigação Fulgêncio, no município de Santa Maria da Boa Vista, no Sertão do São Francisco.
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