Confecção: deputados criticam acordos comerciais para zerar tarifas de importação

Em 07/12/2021 - 22:12
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CONCORRÊNCIA – “Nossa produção vai cair, prejudicando justamente aqueles que mais precisam: os pequenos e médios negócios”, lamentou Diogo Moraes. Foto: Roberto Soares

O anúncio de que o Governo Federal pretende zerar a alíquota de importação de produtos têxteis, calçados e vestuários provenientes da Coreia do Sul, da Indonésia e do Vietnã até 2030 repercutiu na Reunião Plenária desta terça (7). A medida preocupa os deputados Diogo Moraes (PSB) e Erick Lessa (PP), que apontaram os impactos do acordo comercial sobre o Polo de Confecções do Agreste.

Atualmente, a alíquota para a importação de confecções no Brasil é de 35%. A iniciativa federal, entretanto, pretende reduzir esse percentual a zero nos próximos anos. Diogo Moraes apresentou dados preliminares do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo os quais a medida deve gerar um incremento de até 1.010% nas importações de vestuários produzidos na Indonésia.

“Também pode chegar a um aumento de 703% nos calçados provenientes desse país. Do Vietnã, teremos um incremento de 702% em vestuário, além de 250% em têxteis e 407% em couro e calçados. Da Coreia do Sul, serão 684% em vestuário, 250% a mais em têxteis e 510% em couro e calçados”, listou. 

“Esse acordo vislumbra o crescimento do agronegócio, porém atingirá fortemente os polos de confecções não só de Pernambuco, mas do Rio Grande do Sul, Paraná, Ceará e São Paulo, já neste ano”, prosseguiu o socialista. “Nossa produção vai cair, prejudicando justamente aqueles que mais precisam: os pequenos e médios negócios. Não temos como concorrer.” Moraes lembrou que o Polo de Confecções do Agreste corresponde a mais de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) de Pernambuco. 

DEBATE – Erick Lessa, que preside a Comissão de Desenvolvimento Econômico, anunciou audiência pública sobre o assunto no próximo dia 16. Foto: Roberto Soares

O parlamentar também pediu à Alepe, por meio dos colegiados temáticos, que leve o debate a Brasília. Nesse sentido, Erick Lessa, que preside a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Casa, anunciou audiência pública sobre o assunto no próximo dia 16 (quinta), às 10h, no Auditório Sérgio Guerra. “Chama atenção a absoluta falta de senso e compreensão da força que a confecção tem não só aqui, mas em vários Estados da Federação”, afirmou o progressista.

Lessa explicou que a discussão foi solicitada, por meio de ofício, pela deputada Alessandra Vieira (PSDB). “Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e outros 19 municípios confeccionam 800 milhões de peças de roupas por ano. São R$ 5 bilhões circulando e mais de 250 mil pessoas que dependem dessa que é a matriz econômica que mais gera emprego e renda em Pernambuco”, pontuou.

Para o deputado, é hora de “deixar de lado as colorações partidárias e os grupos políticos”, em prol do Polo de Confecções. “Vamos encaminhar ofícios ao Ministério da Economia, à Secretaria da Fazenda e à bancada federal pernambucana. Precisamos nos mobilizar para não deixar esse acordo comercial afetar tão drasticamente nosso Estado”, defendeu.

Ao discursar no Pequeno Expediente, o deputado Tony Gel (MDB) endossou a posição dos colegas. “Quero me somar a vocês. Eu me preocupo muito, porque a relação capital e trabalho nesses países da Ásia é muito diferente da nossa”, disse.