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PROJETO DE LEI ORDINÁRIA 1682/2020

Declara Quinca Pedro como Patrono das Pegas de Boi no Mato do Estado de Pernambuco.

Texto Completo

        Art. 1º Fica Quinca Pedro declarado como Patrono das Pegas de Boi no Mato do Estado de Pernambuco.
 
        Art. 2º Esta Lei entra em vigor após a sua publicação.

Justificativa

Joaquim Antônio dos Santos – Quinca Pedro, o mais destemido, habilidoso, lendário e apaixonado vaqueiro da Ribeirinha do Riacho do Navio, nasceu aos quatro dias do mês de abril do ano de um mil novecentos e dez, na Fazenda Urubu, 2° Distrito de Floresta. O 4° filho do casal Antônio Pedro dos Santos (então comissário de Nazaré do Pico e do 2º Distrito de Floresta) e Feliciana Maria dos Santos, cresceu junto a 9 irmãos. 

O ilustre Quinca Pedro casou-se duas vezes. Em seu primeiro matrimônio, ocorrido no dia 12 de novembro de 1933, aos 23 anos, envolto pelo encantamento da paixão, casou-se com uma jovem de nome de Feliciana Maria da Conceição, filha do casal Raimundo Barbosa e Maria Emília Feliciana dos Santos, da Faz. Poço do Negro, localizada na antiga Carqueja, atual Nazaré do Pico, 4º Distrito de Floresta. Desta primeira união, nasceram três filhos. O enlace nupcial entre Quinca Pedro e Feliciana Maria durou dez anos. Foram anos de um convívio muito feliz, interrompido prematuramente pelo falecimento da prendada esposa.

Mais tarde, aos dezesseis dias do mês de 24 outubro de 1943, aos 33 anos de idade, Quinca Pedro apaixonava-se outra vez. Escolhera uma também prendada jovem da região do Urubu e, pela segunda vez, contraiu núpcias com Margarida Jesus dos Santos, filha do casal Juvêncio Gonzaga e Mãe Preta – parteira da região navieira e “mãe de pegação” de inúmeras pessoas do 2º Distrito de Floresta. Não muito diferente de sua 1ª união conjugal, junto a Margarida Quinca Pedro teve mais quatro filhos.

Ainda em 1924, aos 14 anos de idade, Quinca Pedro iniciou com muita coragem e destemor a saga do maior vaqueiro da Ribeira do Riacho do Navio. A partir de então, a caatinga recebia o mais valente, aventureiro, destemido e habilidoso vaqueiro. O campo e o gado não seriam mais os mesmos. Os segredos da caatinga teriam poucos dias de sucesso e de mistério. Em pouco, Quinca Pedro é que daria a lição ao gado, ao cavalo e a caatinga. Tudo estava determinado: a roupa de couro seria o terno e o sertão, em tempo de inverno, seria o paraíso.

Dentre as mais intrigantes histórias, ao lado de vários colegas e compadres do campo, Quinca Pedro marcou seu legado na linha do tempo pernambucana. A candura de Quinca Pedro, seu sorriso largo, a cor prateada dos seus cabelos e barba, os traços definidos no rosto, as profundas rugas marcadas pelo tempo, a pele morena queimada por longos anos de sol sertanejo, sua voz e gestos, a cortesia e os bons tratos, as histórias e o grito de aboio alcançam a alma e a emoção de qualquer criança e disciplina o mais enfurecido dos homens. É desejo dos letrados e daqueles que aprenderam com a vida; conhecer e se demorar em companhia de Quinca Pedro, e o que é melhor, gozar de sua amizade e confiança.

A primeira festa de Pega de Boi no Mato quem fez foi Quinca Pedro, em 1959. Na época, dizia-se “reunir vaqueiros”, com o intuito de escutar toadas, dançar forró pé-de-serra, comer churrasco de boi e correr no campo procurando o boi brabo, que constitui a competição e premiação da festa. Sendo a captura do boi brabo e solto na caatinga, um dos atrativos da Festa de Gado, na Faz. Urubu boi famoso foi o que não faltou. Por lá, existiram os bois mais brabos que se tem notícia e que renderam várias edições de festa, até as suas respectivas capturas. Nesse sentido, dentre idas e voltas, a tradição das Pegas de Boi no Mato foi se fortalecendo e se espalhando por todo o sertão nordestino. 

Em tais festas, os terreiros ficam cheios de vaqueiros, cavalos, visitantes, carros boiadeiros e de passeio. Gado em expressiva quantidade é abatido, para que durante o período da festa – dois dias e duas noites - o churrasco seja farto e saboroso. O forró é animado por sanfoneiros, forrozeiros e aboiadores. A festa é constituída por muitas atrações, sendo que nenhuma outra se compara à presença de Quinca Pedro. Vaqueiros novos e velhos querem ouvir a saga do patriarca da Faz. Urubu. Homem de muita fé, Quinca Pedro faz questão de mandar celebrar a missa campal, que acontece momentos antes de os vaqueiros saírem para o campo. Logo após, acontece à chamada dos vaqueiros que saem em busca do prêmio da festa: o boi solto e bravo que está no mato, sentido-se acuado, se esconde e se encanta travando-se um verdadeiro combate entre o vaqueiro e o boi. 
 
Dentre várias oportunidades, Quinca Pedro foi homenageado em manifestações culturais do homem do campo e do couro. Transmitindo honra por tal fato, o chamado Herói da Caatinga, entre o orgulho e a satisfação, confessava que valia a pena ter escolhido essa vida dura do campo, vida de gado. O saudoso Quinca Pedro sempre participou com muita devoção e concentração das missas da Faz. Urubu, constituindo-se em exemplo de fé e piedade cristã, fazendo questão de transmiti-las para os vaqueiros e para os demais presentes.

Aos dois dias do mês de agosto do ano de dois mil e dois, Quinca Pedro é tomado por grande dor e sofrimento, ficando viúvo, outra vez. Há muito que sua Margarida estava adoentada. Aos 90 anos de idade, a resistência comprometida, fratura pela segunda vez uma das pernas. Levada para a cidade de Arcoverde, recebeu toda a assistência possível e, mesmo assim, não resistiu.

Pouco tempo depois do falecimento de sua querida esposa, Quinca Pedro adoeceu nos primeiros dias do mês de janeiro de 2003, sofrendo de uma depressão profunda e outras complicações. Apesar das histórias e lembranças, apesar da presença em sua terra, definhava sensivelmente, vindo a falecer nas primeiras horas da madrugada do dia 15 de janeiro.

No entanto, Quinca Pedro deixava gravada na memória e na caatinga a sua história. Foi sepultado com honrarias e belas homenagens, permanecendo vivo nos corações de seus admiradores e na cultura do sertão pernambucano. Ao partir para o plano espiritual, alegrou-se o Céu em festa, pois recebia a majestade dos macambirais, Quinca Pedro – o Herói da Caatinga.

Nosso pleito se fundamenta na necessidade de reconhecer e homenagear um bravo pernambucano e sertanejo, que honrou a cultura sertaneja até o fim de seus dias. Joaquim Antônio dos Santos – Quinca Pedro, foi o pioneiro e criador dos eventos de Pega de Boi no Mato, que hoje são pertences enraizados da cultura nordestina. Tais eventos se difundiram sertão afora, gerando empregos e renda, alegrando um povo guerreiro, fazendo ecoar na história o nome do bravo vaqueiro, Quinca Pedro, o melhor de todos os tempos. Ao longo de sua vida, revestiu-se em humildade, sabedoria, carinho e afeto para com os seus, desbravando a caatinga e confrontando a seca com imensa competência e reconhecimento, tornando-se uma referência de coragem e caráter no sertão do Estado. Dessa forma, nada mais justo que declarar o saudoso Quinca Pedro como o Patrono das Pegas de Boi no Mato do Estado de Pernambuco, honrando e eternizando seu legado na história pernambucana. 

Ante o exposto, solicito o valoroso apoio dos Nobres Parlamentares desta Casa Legislativa.

Histórico

[11/03/2021 16:03:52] EMITIR PARECER
[19/11/2020 04:38:08] ASSINADO
[19/11/2020 04:39:56] ENVIADO P/ SGMD
[19/11/2020 11:56:04] ENVIADO PARA COMUNICAÇÃO
[19/11/2020 18:58:41] DESPACHADO
[19/11/2020 18:59:08] EMITIR PARECER
[19/11/2020 19:34:50] ENVIADO PARA PUBLICAÇÃO
[20/11/2020 07:48:28] PUBLICADO
[26/03/2021 09:59:49] AUTOGRAFO_CRIADO
[26/03/2021 10:00:26] AUTOGRAFO_ENVIADO_EXECUTIVO
[26/03/2021 10:00:56] AUTOGRAFO_TRANSFORMADO_EM_LEI





Informações Complementares

Status
Situação do Trâmite: PARECER_REDACAO_FINAL_PUBLICADO
Localização: SECRETARIA GERAL DA MESA DIRETORA (SEGMD)

Tramitação
1ª Publicação: 20/11/2020 D.P.L.: 12
1ª Inserção na O.D.:




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