Situação de feirantes e de moradores desapropriados é debatida em Goiana

Em 06/05/2019
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A Comissão de Cidadania da Alepe realizou, nessa segunda, uma audiência pública na Câmara Municipal de Goiana, na Região Metropolitana do Recife, para discutir temas ligados aos direitos humanos no município. A remoção de feirantes, a situação de moradores desapropriados e a falta de atendimento de saúde emergencial foram os principais assuntos abordados.

De acordo com trabalhadores, a feira livre do centro da cidade deve ser transferida para uma nova área, onde funcionava o antigo Grêmio do Ponsa, por iniciativa da prefeitura. Há cerca de dois meses, uma ordem judicial determinou a remoção dos mais de 700 expositores para o novo local, até o próximo dia 29. O representante da Associação de Feirantes de Goiana, Adeilson da Silva, ressaltou que as mudanças deveriam acontecer mas de forma mais organizada. “Só que o prefeito não dialoga com ninguém, é o que ele quer e acabou-se. Ele está ainda no tempo dos coronéis, infelizmente, o diálogo dele é da forma dele, dele agir e pensar.”

Outro impasse é que o novo local da feira está com obras paralisadas pela ocupação de 37 famílias que haviam sido desapropriadas pela prefeitura, sob alegação de que o terreno onde moravam pertencia a uma empresa privada. Mas, de acordo com o representante dos moradores, Deijarlan Rodrigues, a propriedade era da prefeitura. Ele fez críticas a vereadores que teriam feito um acordo com o dono da empresa que ficou com o terreno e o vice-prefeito para tirá-los do local. “Eles estão dizendo que a obra não anda, ficam metendo pau só no prefeito, mas eles também têm culpa, porque se a gente não estivesse lá, a obra hoje estaria andando, para o pessoal da feira também ter para onde ir. Então se o prefeito tem culpa, os vereadores também têm.” Agora, eles aguardam a definição de um novo local para morar. Segundo os moradores, as condições de habitação são bastante precárias.

A audiência também denunciou o atraso na inauguração da UPA municipal e da UPAE, do Governo do Estado, que já estariam com obras concluídas, mas sem atendimento. A gerente regional da Secretaria Estadual de Saúde, Daniele Uchôa, justificou que o atraso na inauguração da UPAE se deu pela dificuldade na compra de equipamentos, mas garantiu que a unidade vai ser inaugurada até o final do segundo semestre.

A deputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, que preside a Comissão de Cidadania, lamentou a ausência e a dificuldade de diálogo com a prefeitura. Entre os encaminhamentos, as integrantes do grupo afirmaram que vão denunciar ao Ministério Público a paralisação das obras da nova feira e a não entrega da UPA pela prefeitura. Elas ainda vão verificar, junto ao Estado, a situação do cadastro de habitação popular dos moradores desapropriados. A criação de um grupo de trabalho envolvendo as duas casas legislativas também foi sugerida, como explicou a deputada Jô Cavalcanti. “A gente vai acompanhar reuniões e o direcionamento aqui da Casa e ver como que a gente, em conjunto, o municipal e o estadual, pode trabalhar pela melhoria de Goiana.”

Vereadores locais também criticaram a ausência do prefeito Oswaldo Rabelo na reunião, e anunciaram a realização de uma audiência pública própria sobre o tema dos feirantes no próximo dia 15 de maio.