Experiências bem-sucedidas de preservação da caatinga em Pernambuco foram apresentadas em seminário realizado pela Comissão de Meio Ambiente, nessa quarta. Entre os destaques, está o projeto de reabilitação, soltura e monitoramento do papagaio verdadeiro, espécie típica desse bioma. A iniciativa, desenvolvida pela Agência Estadual de Meio Ambiente, CPRH, já devolveu à natureza quase 300 pássaros. A diretora de recursos florestais e biodiversidade do órgão, Patrícia Tavares, destacou a importância do papagaio para o Semiárido. “Ele é um disseminador de sementes. Então, ele se alimenta basicamente de sementes e frutos. Alcança um território vasto a partir do voo. Então, o que ele propicia de perpetuação daquelas espécies já é um grande diferencial.”
Outra palestra do evento foi ministrada pela professora do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Pernambuco, Márcia Vanusa. A pesquisadora apresentou estudos científicos que utilizam plantas nativas da caatinga para a fabricação de cosméticos e de medicamentos, como antiinflamatórios. Apenas 1% da caatinga no Brasil é área de proteção integral, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Mais de 45% da vegetação do bioma já foi devastada. Em Pernambuco, essas plantas ocupam cerca de 570 mil hectares, de acordo com o gerente de Desenvolvimento Sustentável da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Paulo Teixeira. Desse total, cerca de 130 mil estão em áreas protegidas.
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado, Carlos André Cavalcanti, ressaltou que mais de 90% do território de Pernambuco está suscetível ao processo de desertificação, dos quais 60% já estão em grau avançado. Ele ainda chamou a atenção para o potencial de produção de energia elétrica nessas regiões. Segundo o gestor, estudos revelam que um único hectare da caatinga poderia gerar uma renda anual de quase um milhão e meio de reais para o proprietário da terra. “Esses estudos estão sendo desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e estão sendo submetidos ao Ipea, Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada, para que a gente possa, realmente, entender o potencial de se ter a produção de energia elétrica e viabilizar empreendimentos, principalmente empreendimentos que possam ser da agricultura familiar e possam melhorar a renda dos agricultores.”
Presidente da Comissão de Meio Ambiente, o deputado Zé Maurício, do PP, fez uma avaliação positiva do seminário e afirmou que o Colegiado deve realizar outro evento sobre a temática. “Vamos fazer no segundo semestre agora uma audiência na região de Caruaru, onde abrange todo o Agreste, para fazer com a que Alepe, cada vez mais, esteja mais próxima da sociedade e da população pernambucana.” Zé Maurício ainda pontuou que é necessário um olhar mais atento ao bioma, único ecossistema exclusivamente brasileiro e rico em biodiversidade, mas extremamente frágil.
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