Polêmica com fala de Lula sobre Israel e violência no Estado repercutem no Plenário

Em 19/02/2024
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A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que comparou as ações militares de Israel contra palestinos na Faixa de Gaza ao Holocausto, repercutiu na reunião plenária desta segunda. Parlamentares apresentaram opiniões diversas em relação ao discurso do presidente da República. O deputado João Paulo, do PT, prestou solidariedade aos palestinos e demonstrou apoio ao posicionamento de Lula, que foi considerado “persona non grata” em Israel, após os comentários feitos no último domingo. Para João Paulo, o presidente deixou explícita a posição da diplomacia brasileira de não aceitar o massacre das populações de Gaza. “O genocídio de Israel é uma retaliação desproporcional ao ataque do grupo Hamas ocorrida em Israel, também já condenada pelo governo brasileiro, e atinge civis inocentes no território em que querem apenas viver em paz em sua terra.”

Já o deputado Joel da Harpa, do PL, reagiu à fala do presidente. Ele apresentou um Voto de Repúdio e afirmou que comparar o conflito entre Israel e Hamas ao Holocausto é, no mínimo, “uma grande irresponsabilidade e uma vergonha para o povo brasileiro”. O parlamentar ainda ressaltou a necessidade do cessar-fogo na Faixa de Gaza. “Que haja, na verdade, um acordo e um respeito mútuo entre os povos daquela região. E o que nós precisamos é trabalhar incansavelmente para alcançar uma solução dos dois Estados, onde Israel e palestinos possam coexistir lado a lado em paz e com segurança, e não enaltecer um grupo de terroristas que ataca não apenas Israel mas, pelos seus fins, pelos seus propósitos, é capaz de fazer qualquer coisa.”

Na mesma linha, Renato Antunes, do PL, em nome do partido, repudiou e pediu perdão pela fala do presidente Lula. Ele classificou a declaração como insensata e ignorante. Em sentido semelhante, Abimael Santos, também do PL, e Pastor Cleiton Collins, do PP, criticaram o pronunciamento do chefe do Executivo Federal. Já Waldemar Borges, do PSB, disse não haver dúvidas de que o ataque do Hamas em outubro do ano passado foi “um ato de terrorismo injustificável”, mas não pode ser usado como argumento para legitimar a forma como Israel vem bombardeando a Faixa de Gaza. “Não é um ataque ao Hamas, ali está sendo um ataque generalizado. Ali está sendo um ataque, de fato, está sendo extermínio de crianças, de mulheres, de pessoas que não têm nada a ver, nenhuma responsabilidade, sobre o que aconteceu lá em Israel.” 

Ao fim da reunião, João Paulo voltou à tribuna para reiterar seu apoio a Lula. Ele esclareceu que o presidente não estava defendendo a ação do Hamas, mas sim, condenando o genocídio promovido por Israel em Gaza.

Delegada Gleide Ângelo, do PSB, anunciou a formação de uma comissão de parlamentares da Alepe para intermediar o diálogo entre policiais civis e o Governo do Estado. De acordo com a deputada, o grupo foi procurado por associações que representam a categoria por estarem com dificuldades no diálogo com o Poder Executivo. A comissão deverá se reunir com o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, nesta terça. Nós vamos levar as demandas dos policiais, que precisam ter valorização profissional, reconhecimento salarial, e que precisam ter condições de trabalho.” 

Abimael Santos, do PL, denunciou o aumento do número de homicídios em Toritama, no Agreste Setentrional. De acordo com o parlamentar, cinco pessoas foram assassinadas na cidade em 2024. Um dos crimes, segundo o deputado, ocorreu nas proximidades do batalhão da Polícia Militar da cidade. Abimael Santos responsabilizou o Governo do Estado pelo aumento da violência na cidade. “O prefeito está agoniado, querendo diminuir a criminalidade e, pelo que eu sinto, e já procurei saber, o Estado está deixando o povo do interior, e não só do interior, do Estado todo, na mão. A governadora precisa agir.”

Em aparte, Joel da Harpa culpou os 16 anos de gestão do PSB pela crise atual da segurança em Pernambuco. Ele também elogiou a iniciativa do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto, do PSDB, de promover uma reunião entre os parlamentares e os representantes do Sinpol, Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco, a fim de evitar uma greve da categoria durante o Carnaval. Sileno Guedes, do PSB, criticou o Governo do Estado pelo fim do Pacto Pela Vida e pela falta de investimentos em segurança.

O deputado Waldemar Borges prestou solidariedade aos trabalhadores da assistência técnica e extensão rural em Pernambuco. Ele leu uma nota de repúdio da categoria à decisão do Governo Estadual de dispensar profissionais da área. Borges concordou com o comunicado da Associação dos Empregados da Pernambuco Participações e Investimentos S/A – Perpart, que considerou “desumana e desrespeitosa” a portaria da diretoria-executiva da empresa estatal desligando os trabalhadores.  Para o parlamentar, a medida fragiliza ainda mais a agricultura familiar e agrava a situação de pobreza e fome no estado.  

Coronel Alberto Feitosa, do PL, criticou a alíquota de 20,5% de ICMS cobrada em Pernambuco. O deputado endossou o comunicado da Fecomércio questionando o aumento do tributo no estado. Feitosa lembrou que, mesmo com a reforma tributária aprovada no final do ano passado pelo Congresso, o Governo de Pernambuco aumentou a alíquota modal, que é aquela cobrada na maioria dos produtos e serviços, o que vai na contramão de estados como Espírito Santo, Rio Grande do Sul e São Paulo, que voltaram atrás no reajuste. 

O deputado Izaías Régis, do PSDB, comemorou a nomeação do economista e advogado Cícero Moraes para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca de Pernambuco. O parlamentar parabenizou a governadora Raquel Lyra pela escolha e lembrou que Cícero Moraes é funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal, pós-graduado em Gerenciamento de Cidades, ex-secretário parlamentar e foi vereador na cidade de Abreu e Lima. No Grande Recife liderou, ainda, a pasta da Habitação.