O acesso à água potável é um direito humano fundamental, reconhecido pela Organização das Nações Unidas, em 2010. No entanto, três em cada 10 pessoas não usufruem dessa garantia segundo dados levantados em 2017 pela Organização Mundial da Saúde. A agricultora Maria Gercília Alves, de Santa Filomena, no Sertão do Araripe, conhece bem essa realidade. Até 2010 ela enfrentou dificuldades para ter o bem essencial. “Era muito difícil. Eu vivia uma vida muito triste. A gente andava bastante pra lavar roupa, pra poder adquirir a água, né? Era uma situação precária. Hoje a gente tem um acesso à água mais fácil. Porque a água que eu tomo banho, a água que eu lavo a louça, essa água é toda reaproveitada também”.
Essa nova realidade de Maria Gercília ocorre graças ao programa Um Milhão de Cisternas, promovido pela Articulação Semiárido Brasileiro, ASA. Em Pernambuco, o projeto construiu mais de cem mil cisternas em parceria com o governo do Estado, todas destinadas a famílias inscritas nos programas sociais do Governo Federal e que não tinham acesso à água em casa. Para o coordenador da iniciativa no país, Rafael Neves, a ação tem gerado bons resultados. “Muitos estudos da Universidade provam a redução em 60, 70% de mortalidade infantil nos dez primeiros anos do programa Um Milhão de Cisternas, a redução de doenças diarreicas nas crianças, e em toda a família. Então, tem um impacto positivo, que foi garantir que as famílias tivessem água de qualidade na porta da sua casa”. Segundo Rafael Neves a diminuição do êxodo rural e o aumento de feiras agroecológicas nos municípios beneficiados também estão entre os frutos do programa.
A dura realidade vivida por Maria Gercília chama atenção para a necessidade de preservação da água. Mesmo nos grandes centros urbanos, quem tem acesso ao recurso natural precisa desenvolver o hábito de economizá-lo. Alguns hábitos simples são recomendados pelo professor de Hidráulica e Drenagem Urbana da Universidade Federal de Pernambuco, Jaime Cabral. Segundo ele, mais de 50 litros de água são economizados no banho se o registro estiver fechado durante o uso do sabonete. Na hora de escovar os dentes, a dica é abrir a torneira apenas para o enxágue. Na cozinha, ao lavar a louça, o correto é retirar o excesso de comida com a esponja, antes de abrir o registro. Já na lavanderia, deve-se acumular o máximo de roupa possível para otimizar o gasto de água.
Por fim, para quem mora em casa, são duas as orientações: evitar lavar a calçada com mangueira e sempre verificar a existência de possíveis vazamentos. O motivo para tantos cuidados se justifica. “Pernambuco é o Estado que tem a menor disponibilidade hídrica per capita. Um ponto que vai ajudar é quando a transposição puder ser utilizada por Pernambuco. Por enquanto, ainda faltam algumas obras para serem realizadas. E além disso, a questão do Agreste depende muito dos próximos meses.”
Se o inverno for bom, de acordo com Jaime Cabral, as chuvas podem recuperar o nível das barragens do Agreste e melhorar o quadro hídrico da região. Na Alepe, a preservação da água está em pauta. A Comissão de Meio Ambiente da Casa promoveu discussões sobre o tema ao longo da última semana e lançou a exposição fotográfica “Água para todos: não deixe ninguém para trás”. A mostra apresenta imagens do Rio Capibaribe, com destaque para a beleza do curso de água e a população ribeirinha. Também revela, porém, pontos de degradação.
Presidente do Colegiado de Meio Ambiente, o deputado Wanderson Florêncio, do PSC, ressaltou a importância do Capibaribe. “Um rio que corta várias cidades importantes, pólos industriais como lá em Santa Cruz, em Toritama. Passa pelo Agreste, onde falta água. Ele é um rio intermitente e chega aqui dessa forma que nós conhecemos no Recife. Um rio que se confunde até com a cidade do Recife.”
As atividades realizadas pela Alepe se deram em comemoração ao Dia Mundial da Água, instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 1993 e celebrado, anualmente, em dia 22 de março.
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