Gestor de Noronha explica proposta que veta carros a combustão na ilha

Em 25/11/2019
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O administrador-geral do Distrito de Fernando de Noronha, Guilherme Rocha, atendeu a uma convocação da Comissão de Meio Ambiente e esteve, nesta segunda, na Assembleia. O gestor veio esclarecer pontos do projeto do Poder Executivo que proíbe o ingresso, a circulação e a permanência de veículos à combustão no arquipélago a partir de 10 de agosto de 2022. Antes da explanação de Rocha, o deputado Alberto Feitosa, do Solidariedade, anunciou posição contrária à iniciativa. Segundo o parlamentar, a proposta vai obrigar os moradores da Ilha a se desfazerem de seus automóveis e a comprarem um carro elétrico, que não é acessível.

O deputado apresentou um levantamento de preços e destacou que o veículo mais barato custava 140 mil reais, em janeiro deste ano. Feitosa também ressaltou que o custo da bateria é alto e seu descarte pode gerar um outro problema ambiental.  De acordo com o parlamentar, uma carga no carro elétrico equivale a três dias do consumo de energia de uma casa e, considerando que a geração de energia em Noronha é via termelétrica, a emissão de gás carbônico tende a aumentar. O deputado sugeriu a possibilidade de uso exclusivo do etanol como forma menos poluente de combustível para os veículos em circulação na ilha.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Wanderson Florêncio, do PSC, lembrou que havia encaminhado ofício à administração do arquipélago contendo questionamentos da população colhidos durante audiência pública realizada no mês passado em Noronha. Guilherme Rocha esclareceu  que o projeto de lei é uma das medidas que vão contribuir para o alcance das metas do Programa de Sustentabilidade Noronha+20  e do projeto Noronha Carbono Zero. As iniciativas prevêem a implantação gradual de uma política de incentivos para a substituição de veículos tradicionais por alternativos e menos poluentes.

Em relação ao consumo de energia, o administrador afirmou que alguns carros públicos que trafegam no distrito já são elétricos e que é possível fazer um estudo comparativo. Ele afirmou que esse tipo de veículo consome menos do que um chuveiro elétrico e quem usa para trabalhar, como os taxistas, terá uma economia “espetacular”. Segundo Guilherme Rocha, em média, eles têm um gasto de cerca de 3 mil reais de combustível por mês e, a partir do uso da energia, eles passariam a ter uma despesa de cerca de 50 reais mensais. O gestor do arquipélago acrescentou que, apesar do carro elétrico ser mais caro, a despesa do morador será recuperada com a economia no abastecimento.

O ex-secretário de Meio Ambiente Sérgio Xavier, presente ao encontro, afirmou que toda mudança gera um estranhamento inicial. Para ele, a reunião foi importante para responder as dúvidas dos deputados e da população. O presidente da Alepe, Eriberto Medeiros, do PP, afirmou que o encontro mostrou o zelo que a Casa tem com a coisa pública, e que o debate foi muito importante para esclarecer os pontos divergentes da proposta.