As demandas que vão ser levadas por trabalhadoras rurais pernambucanas para a sétima edição da Marcha das Margaridas, nos dias 15 e 16 deste mês, em Brasília, foram debatidas em Audiência Pública realizada pela Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa, nesta quarta. A Marcha foi inspirada na vida e luta de Margarida Maria Alves, sindicalista rural paraibana assassinada há 40 anos. Ela foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Nordeste. O tema da mobilização deste ano é “Margaridas em Marcha pela Reconstrução do Brasil e pelo Bem Viver”. A delegação de Pernambuco terá três mil pessoas. Coordenadora do movimento no Estado, Adriana Nascimento disse que os anseios por avanços nas políticas públicas para as mulheres é grande, depois de sete anos que considerou um “desgoverno” no Brasil:
“Então, com um Governo popular e democrático em exercício, a gente tá levando uma pauta com treze eixos. São treze eixos que perpassam, desde educação, ao direito à liberdade, a não violência às mulheres, agroecologia, direito ao território, ao maretório, previdência pública, de fato sendo assegurada.”
A reunião também teve protestos contra a gestão de Raquel Lyra. A governadora foi criticada por causa de exonerações na Secretaria da Mulher. As mudanças foram vistas, na audiência, como um prenúncio de que a pasta perderá status e, consequentemente, força na luta por mais ações no segmento. Catorze funcionárias foram substituídas nos últimos dias, incluindo a titular da secretaria. Presidente da Comissão da Mulher, a deputada Delegada Gleide Ângelo, do PSB, informou que um indicativo deve ser encaminhado ao Governo, relatando o que as mulheres querem:
“A gente não precisa criar Grupo de Trabalho para saber o que precisa fazer, a gente já sabe. Porque a gente vivencia isso, taí nessa luta há muitos anos. O que a gente tá precisando é ter espaço de escuta no Governo do Estado. E a gente não vai aceitar nenhum direito a menos, nem um desmonte da Secretaria da Mulher, nem casa abrigo sem funcionar.”
No mesmo tom de reação, Adriana Nascimento disse que as mulheres não aceitarão retrocessos e que querem dialogar com o Governo. “É inadmissível que para a política acontecer, a gente tenha um Governo do Estado querendo, em vez de melhorar esse aparelho que é tão importante para nós, mulheres, querendo destituí-lo. Então nós repudiamos essa medida, essa ação. Esperamos que isso seja de fato revogado, se tem algum trâmite já encaminhado para destituir a secretaria de estado da mulher, que isso seja revogado.”
A Comissão da Mulher informou que a nova secretária estadual da Mulher, Mariana Melo, foi convidada para a audiência pública, mas informou, via ofício, que não poderia comparecer.
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