O pedido de instalação de uma Delegacia Especializada da Mulher foi destaque nos pronunciamentos da audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na última quarta, em Santa Cruz do Capibaribe, Agreste Setentrional. Realizado na Câmara Municipal, o evento marcou a retomada do projeto Comissão Itinerante.
No discurso de abertura, a presidente do Colegiado, deputada Delegada Gleide Ângelo, do PSB, lembrou que, pela primeira vez na história, a Assembleia tem dez mulheres parlamentares. Gleide destacou que a população de Pernambuco é 53% feminina, mas ressaltou que o segmento não ocupa os espaços de poder nessa proporção. Para a deputada, as mulheres são maioria e se comportam como minoria porque na sociedade continua prosperando uma cultura machista. Segundo a parlamentar, ser feminista não é ser o contrária ao machismo, mas lutar por direitos iguais. Gleide anunciou que a Comissão vai encaminhar as demandas que não são de competência da Alepe para os órgãos competentes. Ela avaliou que o evento teve resultado positivo. “A gente saiu daqui sabendo muito mais de Santa Cruz Capibaribe, ouvindo as demandas da sociedade e mostrando que mulher pode, sim, chegar no Legislativo e deve, porque política também é lugar de mulher”.
De acordo com o prefeito de Santa Cruz do Capibaribe, Edson Vieira, o município tem atuado para diminuir a desigualdade entre homens e mulheres, ao colocar em prática diversas políticas públicas que beneficiam a população feminina. “Fico feliz em poder ter debatido políticas públicas para mulheres e de ter mostrado os avanços de Santa Cruz em relação às políticas públicas para as mulheres. Temos vários trabalhos desenvolvidos, a exemplo do SIM, que é o Sistema Integrado de Proteção à Mulher, fazendo trabalho com as mães aqui, trabalhando atendimento na Coordenadoria da Mulher, hoje com mais de 1.500 atendimentos, incentivando a participação das mulheres nos órgãos da cidade, dando vez e voz.” Em 2017, Santa Cruz do Capibaribe recebeu da Alepe o prêmio Prefeitura Amiga das Mulheres.
A estudante de serviço social, Edinaete Silva, contou que durante o estágio que fez na UPA da cidade, acompanhou vários casos de violência contra a mulher. Segundo ela, muitas mulheres não se reconhecem como vítimas de violência e, por isso, não denunciam as agressões sofridas. Edinaete afirmou que a conscientização da sociedade pode ajudar no combate à violência. “Precisamos adotar políticas coerentes e cabíveis através de palestras, promovendo campanhas para que haja conscientização dos jovens, crianças e adolescentes, sociedade, com relação à violência contra as mulheres.”
Já a estudante Josiane Bezerra pediu à Comissão que realize um debate sobre a condição da mulher negra em Santa Cruz do Capibaribe. Para ela, esse grupo é maioria na formação da população da cidade e é a parte mais vulnerável, pois sofre diversos preconceitos. Dentre as cobranças feitas durante a audiência, estão a criação de um Campus da UPE na região, a liberação do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento Municipal, FEM, destinado a Santa Cruz do Capibaribe e uma visita do Colegiado à periferia da cidade, para conhecer as condições de trabalho femininas.
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