A necessidade de fortalecer e integrar os órgãos responsáveis pela gestão da água e pelo monitoramento das barragens de Pernambuco norteou os debates da audiência pública realizada nessa quarta-feira. O encontro foi promovido pela Comissão de Meio Ambiente como parte da programação da Semana da Água na Alepe.
De acordo com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Capibaribe, o engenheiro Alexandre Ramos, Pernambuco é o estado que tem a menor disponibilidade hídrica do Brasil. Entre as principais demandas na gestão da água, ele citou a maior integração dos órgãos e da sociedade nas discussões sobre o tema, além do aumento da capacidade técnica do setor. “Se a gente está no estado onde tem a maior escassez hídrica e que tem todo esse arcabouço a ser implementado, é necessário a gente fazer um pacto pela água. E acho que a Assembleia Legislativa é fundamental nesse processo de organizar a sociedade para construir esse pacto pela água.”
Alexandre Ramos ainda esclareceu a informação divulgada recentemente pela Agência Nacional de Águas de que 100 das 477 barragens monitoradas em Pernambuco estariam em situação de alto risco. Segundo o especialista, a classificação não está relacionada necessariamente a riscos de engenharia, mas também à falta de informações sobre os equipamentos.
O agente administrativo do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas de Pernambuco, Alexandre Moura, apontou a necessidade de aumentar a quantidade e a qualidade dos profissionais envolvidos no monitoramento das barragens. Ele destacou que, atualmente, a unidade de Jucazinho, no Agreste, é a única em todo o estado que já tem um plano de ações emergenciais consolidado, e que o órgão conta hoje com apenas um engenheiro civil no setor. “Nos dias de hoje, o quadro é reduzido, chegando a uma situação de inviabilizar o atendimento às demandas, inclusive as demandas legais, como é a questão do atendimento à lei de segurança de barragens.”
O gerente de planejamento operacional da Compesa, Hudson Pedrosa, apontou a complexidade da montagem do Plano de Segurança de Barragens. Ele informou que a empresa é responsável pela administração de 87 unidades no estado e que, em fevereiro deste ano, iniciou um processo de inspeções nas 25 barragens classificadas como de alto risco. A previsão é de que os relatórios sejam finalizados até o mês de abril.
O presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Wanderson Florêncio, avaliou positivamente a reunião, e destacou os encaminhamentos. “Um manifesto que nós iremos fazer, em nome da Comissão de Meio Ambiente e da Casa Legislativa para que, no consórcio entre os governos do Nordeste que foram instalados, a gente possa fazer uma defesa pelo melhor aparelhamento do Dnocs.”
O presidente acatou, ainda, a sugestão do representante da Amupe, Laércio Queiroz, de solicitar ao governo estadual a elaboração de uma campanha educativa para orientar a população sobre o uso consciente da água.
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