Audiência pública discute atendimento do plano de saúde Hapvida

Em 24/08/2018
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A atuação do plano de saúde Hapvida no Estado foi debatida em audiência pública da Comissão de Cidadania da Alepe nessa sexta. O Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Simepe, pediu a apuração de denúncias de suposta desassistência aos usuários, como relata o diretor Mário Jorge Lobo: “A imposição de atendimentos em tempo exíguo de quinze minutos de atendimento, restrição também sobre a dispensação de medicamentos, de internamentos, de realização de exames, e existe também uma denúncia de desassistência  da população, colocando dificuldades de ordem burocrática e restrições, criando um modelo que fica economicamente viável à base do sacrifício da população”.

Outro problema levantado pelo dirigente é a chamada  pejotização. Segundo ele, médicos estariam sendo obrigados a abrir pessoas jurídicas para prestar serviço, como forma de isentar o contratante de obrigações trabalhistas.

O diretor jurídico da Hapvida, Igor Facó, utilizou dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar para defender a qualidade do serviço prestado. Ele disse que o plano, mesmo sendo o maior em quantidade de usuários no estado, com 450 mil contratos, contra 160 mil do segundo colocado, a Unimed Recife, aparece apenas na oitava posição do ranking de reclamações da reguladora. “Das grandes operadoras do país, talvez a Hapvida seja a única a nunca ter um único produto suspenso. Isso mostra que os atendimentos são tempestivos, que os atendimentos possuem qualidade e que nós, de fato, trabalhamos com acolhimento, que são alguns pilares da empresa”.

Ele destacou que a Hapvida é uma das únicas operadoras a oferecer planos individuais, o que possibilita o acesso à saúde privada a uma parcela maior da população. Igor Facó também rebateu as denúncias de direcionamento dos pacientes para o SUS: “Pelo nosso modelo de rede própria, o encaminhamento para o SUS chega a ser uma desvantagem porque nós somos cobrados pelo SUS”.

Superintendente da rede própria Hapvida, o cardiologista Anderson Nascimento disse que foi contratado, há um mês, justamente para melhorar o atendimento. “Existe uma intenção de entregar um produto cada vez melhor e existem muitas coisas boas no produto que é entregue”.

A promotora pública Liliane Rocha, que atua na área de defesa do consumidor, questionou os números apresentados. Ela disse que o Ministério Público tem recebido muitas queixas de usuários e citou como exemplo o fornecimento de home care, que tem sido garantido por liminares da justiça.

Presidente da Comissão de Cidadania, o deputado Edilson Silva, do PSOL, defendeu a formação de um grupo de trabalho com representantes da empresa, dos usuários e do Poder Público. “Nós vamos tentar construir um processo de  conciliação em que o Hapvida atenda, com um mínimo de razoabilidade, as famílias que estão cobertas nos seus planos. E acho que existe possibilidade de entendimento de modo que a gente compatibilize os interesses do plano e os direitos dos usuários”.

Em todo o Estado, a Hapvida tem seis hospitais, cinco serviços de pronto atendimento, 15 clínicas e 75 leitos de UTI.