Artistas cobram pagamento de cachês em audiência pública na Alepe

Em 21/08/2019
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A insatisfação dos artistas com atrasos no pagamento de cachês por parte do Estado dominou a Audiência Pública promovida pela Comissão de Educação da Alepe, nessa quarta. O debate, mediado pelo presidente do colegiado, Romário Dias, do PSD, foi solicitado pelo mandato coletivo Juntas, do PSOL, e contou com a participação de deputados, representantes de movimentos culturais, do Sindicato dos Artistas, além do secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, e do presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto.

Representante da sociedade civil no Conselho Estadual de Política Cultural, Paula de Renor afirmou que o modelo do Funcultura, principal mecanismo de fomento do estado para o setor, está defasado e denunciou que a classe artística não tolera mais os atrasos no pagamento dos cachês: “Artistas recebem depois, no mínimo, de quatro meses. Tem gente com mais de um ano para receber.  Entra um ciclo e sai outro, começa o Festival de Garanhuns, está devendo o Festival passado.”

Falando em nome das Juntas, a codeputada Carol Vergolino fez uma série de questionamentos ao Governo. Entres as cobranças, a demanda histórica pela informatização dos processos do Funcultura. Carol ainda questionou quando será publicado o edital do audiovisual e pediu a aprovação, na Assembleia Legislativa, do projeto de lei de autoria das Juntas  que institui o Relatório de Pagamento de Shows e Eventos. Uma das medidas previstas na matéria é a definição de uma data-limite para pagamento dos fornecedores envolvidos nos ciclos de eventos como Carnaval, São João, Festival de Inverno de Garanhuns e demais shows apoiados ou promovidos pelo poder público.

O secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, considerou o sistema de fomento cultural de Pernambuco um modelo para o Brasil. Mas admitiu a necessidade de agilizar a liberação dos cachês: “O que é que está sendo feito na Secretaria: a priorização do pagamento das despesas relacionadas aos contratos e cachês, da representatividade da cultura popular, principalmente. Que faz parte da estratégia de salvaguarda diante de toda a crise econômica que se estabelece, a gente  tentar proteger o nosso artista, aquele que produz cultura no estado, aquele que é referência.”

A superintendente de Gestão do Funcultura, Aline Oliveira, acrescentou que o edital do audiovisual já está pronto, mas depende de análise da Agência Nacional do Cinema, a Ancine. A gestora informou ainda que, em 2019, o Governo liberou cerca de 15 milhões de reais para o setor, e que, dos 450 projetos aprovados, apenas cinco aguardam empenho.