Carga horária de 30 horas semanais e piso salarial para os profissionais de psicologia em Pernambuco foram as principais reivindicações levantadas durante audiência pública que discutiu as condições de trabalho e a saúde mental da categoria, nesta terça. O encontro foi promovido pela Comissão de Cidadania da Alepe. A crescente demanda por psicólogos e a consequente sobrecarga desses profissionais foram questões presentes em todo o debate. A presidente do Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco, Maria de Jesus Moura, frisou a necessidade de valorização e cuidado com os trabalhadores.
“Profissionais de psicologia não estão a serviço da população sem ter o cuidado pessoal. É preciso estudar, é preciso fazer especializações, é preciso também cuidar da sua saúde mental e, para isso, tem custo. E a gente precisa compreender que esse custo está dentro desse cuidado, que é preciso ter para que a profissão seja exercida da melhor forma possível.”
A tendência a romantizar a profissão teve destaque na fala da conselheira-secretária Aida Carneiro, do Conselho Regional de Psicologia. Ela se mostrou preocupada com o grau de exaustão dos psicólogos. “O cenário de burnout, hoje, parece que a gente normalizou. Mas a gente precisa falar que não tem como falar de garantia de saúde mental sem falar de garantia de direitos básicos. E a gente está falando de direito à saúde, direito à folga, direito a férias.”
Coordenadora-geral de atenção à saúde mental da Secretaria Estadual de Saúde, Priscila Soares da Silva citou alguns equipamentos de Pernambuco que contam com profissionais de psicologia. Entre eles, 95 unidades do CAPs – Centro de Atenção Psicossocial, além de consultórios de rua e leitos integrais. A representante da Secretaria Estadual de Educação, Newdylande Oliveira, citou ações voltadas à saúde dos trabalhadores e comentou as contratações de psicólogos pelo Governo. “O nosso concurso, ainda em vigor, de analista, ele tinha 57 vagas imediatas para psicólogos e psicólogas. E nós convocamos, nomeamos, 389 psicólogos. Nós esgotamos o cadastro de reserva.”
Presidente da Comissão de Cidadania, a deputada Dani Portela, do PT, comentou os projetos que tramitam no Congresso sobre a redução da carga horária de psicólogos, sem redução salarial, e a implementação do piso. Um deles aguarda votação na Câmara dos Deputados, e outro tramita no Senado. “Acho que a gente tem que sair daqui com o encaminhamento, e um dos encaminhamentos desta audiência, ser uma cobrança formal desta audiência pública pela celeridade da votação, para que ele seja incluído na pauta.”
Outros encaminhamentos indicados foram: enviar ao Poder Executivo um relatório sobre as demandas; provocar o Ministério Público para que realize vistorias nos CAPs quanto às condições de trabalho; e solicitar ao governo a realização de concurso para contratação de psicólogos que atuam nas políticas públicas estaduais.
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