
ALERTA – Audiência discutiu estratégias de adaptação às mudanças climáticas. Foto: Roberta Guimarães
A Comissão de Meio Ambiente da Alepe realizou nesta segunda (15) uma audiência pública para debater os impactos do chamado “Super El Niño” em Pernambuco. O fenômeno, provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, pode gerar consequências climáticas extremas no Nordeste brasileiro, causando secas, aumento de temperatura e inundações.
O aquecimento fora do normal já começou a ser detectado, e deve afetar Pernambuco entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. A reunião trouxe representantes do Governo do Estado, Prefeituras e da sociedade civil. Os participantes defenderam um planejamento antecipado para reagir ao fenômeno.
Planejamento
A audiência foi presidida pelo deputado João Paulo do PT (PT), que solicitou a discussão. Ele salientou a possibilidade de “impactos devastadores para a grande maioria, principalmente para a população mais pobre de Pernambuco, nas cidades e no Semiárido”.

PLANEJAMENTO – João Paulo do PT defendeu medidas preventivas nas áreas mais vulneráveis. Foto: Roberta Guimarães
Como instrumento a ser utilizado para lidar com o Super El Niño, o parlamentar citou o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática de Pernambuco (Pear-PE). Essa política pública estabelece diretrizes para reduzir vulnerabilidades e prevenir desastres associados a eventos climáticos extremos.
“É um programa com a participação de 40 pessoas do governo e de universidades, que estão estabelecendo programas preventivos e, principalmente, os recursos necessários para implementá-los”, avaliou João Paulo.
Gerente geral de Mudanças Climáticas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Jacques Ribemboim enfatizou que o Pear-PE inclui previsões que devem balizar políticas públicas para Pernambuco de 2035 até 2050. “É importante que a gente pense nessas medidas, definindo orçamento para a realização e o cronograma de execução”, salientou Ribemboim.
A discussão ainda teve a participação da presidente da Comissão, deputada Rosa Amorim (PT).
Preparação
Outra questão levantada na reunião foi a necessidade de regionalizar o planejamento preventivo para desastres climáticos em Pernambuco. Segundo um estudo do Governo Federal realizado em 2024, Pernambuco tem 106 municípios considerados vulneráveis às mudanças climáticas, dos quais 53 estão em situação avaliada como crítica.

SEMAS – Jacques Ribemboim abordou o Plano Estadual de Adaptação e Resiliência Climática. Foto: Roberta Guimarães
“O estado possui uma diversidade territorial que exige soluções específicas para cada região. Os desafios enfrentados pelos municípios do Sertão não são os mesmos observados pelo litoral”, salienta Hortênsia Nunes Oliveira, diretora de Planejamento e Ordenamento Territorial Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem).
A diretora enfatizou a necessidade de apoiar tecnicamente os municípios menores para que incorporem a variável climática em seus planos diretores. “Os municípios pernambucanos, especialmente os de menor porte, frequentemente enfrentam limitações estruturais para elaborar diagnóstico, identificar áreas de riscos e implementar medidas adequadas”, apontou.
A audiência teve a participação de entidades que congregam prefeituras, como a Amupe (Associação Municipalista de Pernambuco) e o Comagsul (Consórcio de Municípios do Agreste e Mata Sul), e da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste).
Representantes da sociedade civil, como Daniel Valença, da Ameciclo, e o géografo Manoel José Correia, da UFPE, defenderam abordagens baseadas no uso sustentável de recursos, na arborização e infraestrutura verde, utilizando ferramentas democráticas e gratuitas já desenvolvidas em pesquisas acadêmicas para prevenir desastres.
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