Os deputados fizeram um balanço do Carnaval em Pernambuco na reunião plenária desta segunda (23). Houve críticas a serviços como coleta de lixo e organização do trânsito, e questionamentos em relação ao patrocínio das bets e ao uso de inteligência artificial na decoração das ruas. A atuação das forças de segurança, contudo, dividiu os parlamentares: um grupo denunciou casos de violência policial, enquanto outro saiu em defesa do trabalho dos agentes.
João Paulo (PT) criticou o processo de “pasteurização” do Carnaval de Pernambuco. Ele afirmou que a celebração vem sendo tomada por divulgações de plataformas de apostas e por decorações feitas com inteligência artificial em detrimento do trabalho feito por artesãos e agremiações tradicionais.

CARNAVAL – João Paulo criticou a Prefeitura do Recife e o Governo do Estado pela organização da festa. Foto: Roberto Soares
O parlamentar também denunciou a postura intimidadora da Polícia Militar durante as festas. Segundo ele, houve relatos de abordagens abusivas em blocos históricos e durante o show do rapper Djonga, que chegou a interromper a apresentação para criticar a ação de policiais contra o público. João Paulo cobrou responsabilidade tanto da Prefeitura do Recife quanto do Governo Estadual.
“Eu presenciei isso no encontro do Cariri com o Homem da Meia-Noite e no Recife Antigo, onde parece que alguns policiais despreparados têm prazer em bater no cidadão que está ali se divertindo e, muitas vezes, parado, sem fazer absolutamente nada. Isso tem que ser denunciado”, enfatizou.
No mesmo sentido, Dani Portela (PSOL) criticou a organização do Carnaval pela Prefeitura de Olinda. De acordo com a deputada, houve acúmulo de lixo e tráfego intenso de veículos em meio à multidão, que colocou em risco a vida dos foliões.
A parlamentar também ressaltou a ocorrência de casos de violência policial nos locais de festa, contrariando o pronunciamento do Governo do Estado que afirmou ter sido o Carnaval de 2026 “o mais seguro da história”.

OLINDA – Dani Portela lamentou o acúmulo de lixo na cidade. Foto: Roberto Soares
Por fim, Dani Portela condenou a propagação de anúncios publicitários referentes a casas de apostas online (bets). Ela defendeu a implementação de medidas que proíbam a propaganda de jogos de azar e cobrou o pagamento dos fazedores de cultura que contribuíram para a realização da festa. “Respeitar a cultura não é colocar apenas na propaganda que o nosso Carnaval é lindo e multicultural. É respeitar principalmente quem faz e quem vive a cultura pernambucana independente dos quatro dias de folia”, exaltou.
Rosa Amorim (PT) fez coro aos discursos, sugerindo que a desorganização do Carnaval olindense poderia ter sido calculada como parte de uma política de desvalorização da cultura popular.

VIOLÊNCIA – Rosa Amorim denunciou casos de abuso policial. Foto: Roberto Soares
Ela ainda acrescentou que grandes orquestras foram reprimidas e forçadas a interromper suas apresentações devido à ação policial, e reforçou a necessidade de tomar providências para práticas abusivas.
“Ninguém é contra segurança, a segurança é necessária, é fundamental e é direito de todos. Queremos um Carnaval de paz, quem é que não quer um Carnaval de paz? Queremos que as pessoas possam sair e voltar para suas casas com tranquilidade, mas segurança não pode ser sinônimo de excesso, não pode ser justificativa para abuso. Uma atuação policial que acaba gerando ainda mais violência não pode ser considerada promoção de segurança”, argumentou.
Defesa
Por sua vez, Joel da Harpa (PL) parabenizou o trabalho das forças de segurança pública durante o período de Carnaval. Ele destacou que, apesar de incidentes pontuais e das condições desfavoráveis, a atuação da tropa foi marcada pela precisão e pelo controle das ocorrências, o que segundo ele, contribuiu para um dos Carnavais mais pacíficos já registrados.

POLÍCIAS – Joel da Harpa defendeu a atuação das forças de segurança. Foto: Roberto Soares
“Não é fácil ser policial, sobretudo num momento como esse de Carnaval, mas 99% da nossa tropa agiu com precisão e firmeza, fazendo neste ano, segundo os números, um dos Carnavais mais tranquilos que Pernambuco já teve”, defendeu.
Citado no discurso de Joel da Harpa, Romero Albuquerque (União) solicitou questão de ordem e teve o pedido atendido pela Mesa Diretora. Com a palavra, criticou os gastos do Governo do Estado no Carnaval e reivindicou as medidas de segurança mobilizadas na festa para os demais dias do ano. Também denunciou problemas com as refeições oferecidas aos policiais, com o Hospital da Polícia Militar e com balas perdidas.
Psicólogos
Jarbas Filho (MDB) comemorou a convocação de 727 analistas de psicologia educacional para atuar nas escolas da rede estadual. Os profissionais foram aprovados em seleção simplificada e a lista de convocados foi publicada na última sexta (20) no Diário Oficial do Estado.

EDUCAÇÃO – Jarbas Filho celebrou o Governo do Estado pela convocação de psicólogos para atuar nas escolas. Foto: Roberto Soares
O parlamentar parabenizou a governadora Raquel Lyra e ressaltou que, com a medida, todas escolas estaduais de Pernambuco passam a contar com a presença de psicólogos. “O Governo do Estado tem demonstrado sensibilidade e responsabilidade ao investir na saúde mental de nossos estudantes e no suporte aos nossos professores”, externou. Jarbas Filho ainda destacou outros investimentos do Governo na educação, como a entrega de ônibus escolares e a construção de creches.
Em sentido semelhante, Renato Antunes (PL) celebrou a convocação dos novos psicólogos pelo Governo de Pernambuco para atuar na rede pública de ensino. Segundo o deputado, a medida garante que as 1.081 escolas estaduais passem a contar com apoio psicológico, corrigindo um déficit histórico de quando a rede tinha apenas 361 profissionais dessa área.
De acordo com o parlamentar, a contratação atende urgências constatadas em visitas às escolas. Nas ocasiões, o deputado afirmou ter presenciado alunos sofrendo com ansiedade e praticando automutilação, bem como professores com graves gatilhos emocionais. Antunes frisou que o cuidado com o equilíbrio emocional e a saúde mental é um passo fundamental para o funcionamento do ambiente escolar.

PSICÓLOGOS – Renato Antunes também saudou a chegada dos novos profissionais para atuar na rede estadual. Foto: Roberto Soares
“Entendemos que educação não é só matemática, física e química. É também garantir que todos tenham condições de estar na sala de aula, que possam aprender, que possam fazer as provas do Enem, dos seriados, e disputar as oportunidades. O profissional da psicologia é muito importante para cuidar da saúde mental das nossas crianças”, concluiu.
Ciência
Simone Santana (PSB) celebrou os avanços da pesquisa brasileira envolvendo a polilaminina, substância com potencial de reversão de lesões medulares agudas. Segundo ela, os estudos abrem uma possibilidade concreta de recuperação funcional para pessoas que convivem com paraplegia ou com tetraplegia. Para a parlamentar, a descoberta, construída com recursos públicos e com a dedicação de cientistas brasileiros, precisa chegar à população, especialmente aqueles que mais precisam, e o SUS é o caminho para democratizar o acesso a essa inovação.

PARAPLEGIA – Simone Santana elogiou a ciência brasileira pelas pesquisas com a polilaminina. Foto: Roberto Soares
“Mas essa conquista não é apenas biomédica, ela também é mais uma prova da força da pesquisa brasileira. Mostra que mesmo diante de cortes orçamentários, de laboratórios com estrutura limitada, de editais escassos, os nossos cientistas seguem produzindo conhecimento de ponta reconhecido internacionalmente,” afirmou.

AGRO – Izaías Régis divulgou a realização da Expo Garanhuns em março. Foto: Roberto Soares
Agro
Izaías Régis (PSDB) anunciou a realização, entre os dias 11 e 15 de março, da Expo Garanhuns 2026, feira agropecuária do município, localizado no Agreste Meridional. O evento, de acordo com o deputado, tem foco no fortalecimento da economia rural e na promoção de inovações tecnológicas para o setor. O parlamentar pediu o apoio de autoridades e empresários para o evento.
“Será uma exposição em que vamos começar a fazer um grande trabalho para desenvolvermos o agro na nossa região. Bahia e Sergipe são alguns dos maiores produtores de milho no Brasil. Então, por que nós, pernambucanos, não podemos fazer isso? O Agreste Meridional é uma área rica que pode produzir, mas precisamos de apoio”, pontuou.