Embates marcam retomada dos trabalhos legislativos

Em 06/02/2026 - 11:24
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Um grande volume de pronunciamentos marcou a retomada dos trabalhos legislativos nesta semana. Além das mensagens do presidente da Alepe, Álvaro Porto (PSDB), da governadora Raquel Lyra, e dos líderes da oposição, Cayo Albino (PSB), e do governo, Socorro Pimentel (União), proferidas na segunda (2), a tribuna da Alepe foi palco para nada menos que 29 discursos até a reunião plenária de quinta (5).

Uma profusão de temas serviu de inspiração para os parlamentares, mas três se destacaram. O primeiro deles foi a notícia da realização de uma auditoria do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS) no Hospital Perpétuo Socorro, em Garanhuns (Agreste Meridional). A unidade é particular, mas conveniada ao SUS, e tem familiares da vice-governadora Priscila Krause como sócios. 

O deputado Rodrigo Farias (PSB), que trouxe à tona supostas irregularidades na relação entre o hospital e o Estado numa reunião plenária em setembro de 2025, foi quem retomou o assunto na última terça (3). “O que vemos aqui é um caso clássico de superfaturamento, de dano ao erário, de conflito de interesse, de enriquecimento ilícito, e uma afronta clara aos princípios da impessoalidade”, afirmou o socialista nesta semana.

A bancada do governo saiu em defesa da vice. Segundo Antônio Moraes (PP), o Hospital Perpétuo Socorro teve um faturamento maior no Governo anterior do que durante a gestão de Raquel Lyra. “É outra acusação injusta de quem não tem o que mostrar, o que fazer, e vem aqui atacar a honra das pessoas”, disse. Na quarta (4), Débora Almeida (PSDB), Izaías Régis (PSDB) e Socorro Pimentel também contestaram as supostas irregularidades.

Foto da semana

PARLAMENTO – Em meio a protestos, Raquel Lyra profere sua mensagem na reabertura. Foto: Roberto Soares

Oposição centra fogo no caso da empresa da família Lyra 

O tema da Logo Caruaruense, empresa de viação intermunicipal de propriedade de familiares da governadora Raquel Lyra, também motivou debates na Casa. Em janeiro, a imprensa publicou reportagens dando conta de que a Caruaruense operava há três anos com vistorias vencidas e sem certificados. Após a veiculação das informações, a governadora informou o encerramento das atividades da empresa.

Para Romero Albuquerque (União), a Logo Caruaruense fazia “roleta russa” com a população. Em pronunciamento na quarta, ele afirmou que o Governo protegeu os negócios da família Lyra “em detrimento da segurança das pessoas”.

Também mencionaram o assunto Junior Matuto (PRD) e Rodrigo Farias, que anunciou pedido de informação a respeito das relações da empresa com o Estado.

Frase da semana

Foto: Jarbas Araújo

Ao contrário das previsões que apontavam para um período de chuvas mais regulares, o que estamos vendo na prática é um cenário de fato de seca prolongada.”

 

Deputado Luciano Duque (Solidariedade), a respeito da estiagem nas regiões Agreste e Sertão do Estado.

Deputados cobram apreciação do Orçamento de 2026

Outro tema recorrente na primeira semana de trabalhos ordinários da Alepe em 2026 foi o imbróglio em torno da Lei Orçamentária Anual (LOA).

É necessária uma breve explicação: a aprovação do Orçamento ocorreu em 16 de dezembro de 2025. Em 22 de dezembro, a governadora vetou emendas aprovadas pela Alepe à LOA. No mesmo dia, o presidente do Parlamento recusou a tramitação do veto, sob o argumento de que a medida era inconstitucional. Em 23 de dezembro, Álvaro Porto promulgou o Orçamento aprovado pela Alepe (sem os vetos), enquanto no dia anterior a governadora sancionou o Orçamento (com os vetos). Face aos dois Orçamentos (o da governadora e o da Alepe), a Justiça revogou a versão promulgada pelo presidente do Legislativo e, consequentemente, considerou válida a da chefe do Executivo.

A governadora então convocou uma sessão extraordinária em janeiro para apreciar um conjunto de projetos de lei; um deles contém justamente os ajustes ao Orçamento. A Comissão de Finanças da Alepe, responsável pelo tema, anunciou a votação da matéria para 10 de março.

Deputados próximos ao Palácio demonstraram insatisfação com o impasse. João Paulo (PT) reivindicou celeridade na apreciação dos ajustes ao Orçamento. “Não estamos falando de um detalhe técnico ou de um impasse menor, estamos falando da paralisação do Estado. A não votação da Lei Orçamentária Anual bloqueia investimentos, atrasa obras, suspende programas sociais e coloca em risco serviços essenciais como saúde, educação e segurança pública. Quem paga essa conta não é o Governo, é o povo”, disse.

No mesmo sentido, Luciano Duque chamou a atenção para a necessidade de resolução do problema a fim de que sejam tomadas as medidas necessárias ao enfrentamento da seca que atinge o interior do Estado.

E o ano está apenas começando…

Para ouvir

O Assembleia Geral desta semana trata da retomada dos trabalhos legislativos na Alepe. Traz ainda uma reportagem sobre a lei estadual que coíbe o assédio no transporte coletivo e os destaques do Plenário. A entrevista da semana é com a presidente do bloco Sambadeiras, Juliêta Mergulhão. O programa é uma produção da Rádio Alepe e está disponível em plataformas como YouTube, Deezer e Spotify.

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