Abertura da 3ª Jornada Antirracista debate educação

Em 10/11/2025 - 17:55
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LUTA – Atividade trouxe contribuições para o enfrentamento ao racismo na sociedade. Foto: Giovanni Costa

A terceira edição da Jornada Antirracista teve início na Alepe nesta segunda (10). Durante a atividade, a pesquisadora Carla Akotirene apresentou uma palestra com o tema da Educação Antirracista como Política Pública no auditório Sérgio Guerra, na sede do Legislativo pernambucano. Também houve o lançamento do curso em formato EAD (Educação à Distância) sobre História, Cultura e Combate ao Racismo, promovido em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco. 

A Jornada, que segue com programação até quinta (13), integra uma série de ações que a Casa Legislativa promove em combate ao racismo e em celebração ao mês da Consciência Negra. As atividades contam com debates de temas como a saúde da população negra no SUS, as desigualdades raciais no mercado de trabalho, o empreendedorismo negro e a educação antirracista como política pública.

O curso à distância, por sua vez, possibilitará aos participantes desenvolverem consciência crítica sobre as questões raciais e atuarem de forma prática no enfrentamento ao preconceito no seu dia a dia.

Discussões

O primeiro-secretário da Alepe, deputado Francismar Pontes (PSB), declarou que a movimentação da Assembleia em torno dessa temática é “de vital importância” e confirmou a realização das próximas edições do encontro. 

“Nós estamos realizando a terceira edição mas, certamente, teremos a continuidade das ações nesse sentido ao longo da gestão desta Mesa Diretora. Esta Casa irá se fazer sempre presente nesta discussão”, reiterou o parlamentar. Ele completou que “o parlamento é o espelho da sociedade” e que “as práticas objetivas com relação à política antirracista refletem na população”.

Superintendente geral da Alepe, Aldemar Santos frisou que a jornada faz parte da agenda da Assembleia no Mês da Consciência Negra. Ele defendeu que o antirracismo seja uma ação, e não apenas um pensamento. “O racismo diminui as pessoas enquanto ser humano e causa sérias afetações à saúde mental. O racismo mata”, afirmou.

As deputadas Dani Portela (PSOL) e Rosa Amorim (PT) e o deputado Luciano Duque (Solidariedade) também participaram da abertura do evento, que teve apresentação da cantora Gabi da Pele Preta.

PALESTRA – Carla Akotirene buscou conscientizar formuladores de políticas públicas. Foto: Giovanni Costa

Pós-doutora em Política Antirracista pela Universidade de Brasília (UNB), Carla Akotirene, tratou de como o poder público tem condições de formentar uma política de educação antirracista. 

“O debate nesta Casa cria uma transversalidade, uma intersetorialidade das políticas públicas. Um parlamentar que é desconectado da questão do racismo institucionalizado, ao criar projetos de lei, não leva em conta o fato da população negra ser submetida a uma exclusão racial”, provocou a pesquisadora.

Pioneirismo

A Alepe é a primeira assembleia do país a instituir, por meio de uma resolução interna, uma política antirracista permanente. Como parte da iniciativa, o curso EAD sobre a história e a cultura afro-brasileira, inicialmente oferecido em 2023, passou por uma reformulação e ampliação. Também está incluída na norma a criação de uma ouvidoria específica para apurar denúncias de violação dos direitos da população negra. A Assembleia dispõe, ainda, de uma Frente Parlamentar de Combate ao Racismo e, recentemente, aprovou uma lei que estabelece cotas raciais em concursos públicos estaduais.

Igor dos Prazeres, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que participou da abertura do evento, destacou a importância de debater o antirracismo na cultura e na educação. 

“A Jornada Antirracista tem uma articulação muito importante. Quando a Alepe faz isso, ela traz visibilidade para  um dos maiores problemas públicos, que é o racismo. Combatê-lo exige políticas públicas integradas”, defendeu.