Comissão recebe secretário e professores para discutir dados da educação

Em 10/11/2025 - 16:52
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AVANÇOS – Gilson Monteiro destacou queda do analfabetismo, compra de ônibus e climatização das escolas. Foto: Roberta Guimarães

O secretário estadual de Educação, Gilson Monteiro, apresentou, nesta segunda (10), relatório com a série histórica dos indicadores da área em Pernambuco. A explanação aconteceu em reunião extraordinária da Comissão de Educação da Alepe, presidida pelo deputado Renato Antunes (PL), e gerou debate com as entidades de classe do setor.

Monteiro iniciou destacando avanços da gestão, como a diminuição da taxa de analfabetismo para a população de 15 anos ou mais, “bem abaixo da média Nordeste”. Também apontou melhorias significativas nas proficiências em Língua Portuguesa e Matemática entre 2021 e 2024.

Segundo o gestor, no 5º ano do Ensino Fundamental, a proficiência em Português aumentou de 54,9% para 60,5% e em Matemática, de 49,1% para 59,6%. No Ensino Médio, o crescimento foi de 32,7% para 38,1% e de 20,4% para 27,8%, respectivamente.

COMPLEXIDADE – Para o presidente do colegiado, Renato Antunes, dificuldades “não se resolvem do dia para a noite”. Foto: Roberta Guimarães

O secretário ainda ressaltou o reforço no transporte escolar, com a entrega de mais de 2.120 ônibus a 184 municípios, fruto de um investimento superior a R$ 1 bilhão. Já na infraestrutura, de acordo com Monteiro, a gestão enfrenta um “passivo gigantesco” de escolas em mau estado, mas está com quase 400 unidades simultaneamente em manutenção, reforma e requalificação. 

O gestor também comentou o trabalho de climatização das unidades de ensino. “Em 2023 tínhamos um total de 1.051 escolas, das quais apenas 135 tinham ar-condicionado. Hoje, são 1.081, sendo quase 600 delas completamente climatizadas e outras 236, parcialmente”, disse.

Críticas

SINTEPE – Segundo Ivete Caetano, mais da metade dos professores ainda tem vínculos temporários. Foto: Roberta Guimarães

A presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (Sintepe), Ivete Caetano, trouxe questionamentos à pasta, ressaltando a necessidade de escuta da sociedade civil. Um dos pontos levantados foi o número de professores efetivos na rede estadual, que foi apresentado pelo secretário como um fator positivo. 

Embora reconheça que houve um aumento de docentes concursados, a sindicalista salientou que Pernambuco ainda está muito distante da meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que exige 90% de efetivos. “A presença de mais da metade dos professores com vínculos temporários permanece como um indicador estrutural de fragilidade na política de pessoal com efeitos diretos sobre a continuidade pedagógica e as condições de trabalho”, observou.

TRANSPARÊNCIA – Célia dos Santos cobrou mais detalhes sobre cumprimento de metas do Plano Estadual. Foto: Roberta Guimarães

Caetano também pontuou a persistência de um alto contingente de analfabetos e a queda de matrículas na rede, com cerca de 24 mil estudantes fora da escola. Ela denunciou, ainda, problemas estruturais, como mais de 30% das escolas sem laboratório de informática ou biblioteca. Por fim, criticou a utilização de Recibos de Pagamento Autônomo (RPAs) para professores e a ausência do pagamento do piso salarial em algumas regionais.

A professora Célia dos Santos, do Fórum Estadual de Educação, cobrou mais detalhes sobre o cumprimento das metas do Plano Estadual de Educação (PEE). “É importante dizer o que foi feito, mas também comparar o percentual que está posto no documento e indicar o que se atingiu.”

Plano estadual

DEBATE – João Paulo reconheceu esforços do Governo, mas defendeu a importância da crítica. Foto: Roberta Guimarães

Por sua vez, o presidente do Conselho Estadual de Educação, professor Natanael José da Silva, parabenizou a Secretaria pelos avanços em apenas 2 anos e 10 meses de Governo, como a duplicação do número de professores efetivos e a política de transporte escolar.

Como membro da Comissão de Educação, o deputado João Paulo (PT) reconheceu os esforços da gestão, mas defendeu a importância da crítica. “Vejo que os avanços aconteceram, mas o secretário está aqui também para escutar as ponderações e, a partir delas, continuar melhorando.”

No encerramento, o presidente do colegiado pontuou a complexidade dos problemas nessa área, considerando o debate um passo importante para resolver as questões. “Não é algo que a gente resolve do dia para a noite, mas sim com muita discussão, discordando, porém se respeitando e buscando solução”, finalizou Renato Antunes.