Parlamentares repercutem visita de Lula a Pernambuco

Em 14/08/2025 - 16:59
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AGENDA – João Paulo e Waldemar Borges saudaram a visita do presidente a Pernambuco. Fotos: Jarbas Araújo

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao estado, nesta quinta (14), foi registrada pelos parlamentares da Alepe. O presidente veio a Pernambuco para a inauguração da nova planta de produção da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás), localizada em Goiana (Mata Norte).  

A programação também inclui duas agendas no Recife: uma visita ao Hospital Ariano Suassuna Hapvida para anúncio relativo ao Programa “Agora Tem Especialistas”, e a entrega de títulos de propriedade para famílias da comunidade Brasília Teimosa.

O deputado João Paulo (PT) ressaltou esta última agenda do presidente, relembrando o projeto de urbanização de Brasília Teimosa que ele realizou em parceria com o Governo Federal no primeiro mandato de Lula. 

“O retorno de Lula ao bairro agora, mais de duas décadas depois, tem um significado profundo. Não é apenas uma visita, mas a reafirmação de um compromisso histórico com a comunidade. A entrega dos títulos de propriedade garante segurança jurídica, valoriza a história das famílias e assegura que ninguém será removido do lugar onde construiu sua vida.”

O petista demonstrou, ainda, apoio à paralisação dos trabalhadores do Metrô do Recife. Os metroviários entraram em greve contra o projeto de concessão do Metrô do Recife à iniciativa privada. A mobilização busca uma tentativa de contato com o presidente. 

Já o deputado Waldemar Borges (PSB) destacou  na inauguração da nova unidade da Hemobrás. Ele classificou o empreendimento como um marco para a economia, a saúde pública e a soberania nacional, ao representar um passo significativo rumo à autossuficiência do país na produção farmacêutica.

Borges, por outro lado, chamou a atenção para a ausência da governadora Raquel Lyra na agenda presidencial. “Não sei se essa agenda do Sertão é tão importante assim que justifique um gesto que tem chamado atenção, que é a ausência da governadora”, questionou.

Retratação

O deputado Junior Matuto (PSB) pediu desculpas pelo uso de expressão de baixo calão na reunião plenária anterior, na quarta (13), quando fez críticas à governadora Raquel Lyra durante aparte ao pronunciamento da deputada Dani Portela (PSOL). O socialista disse que  “se empolgou” e deixou aflorar o “sentimento matuto de dizer aquilo que sente da maneira que sabe traduzir”. 

Ele se retratou e comprometeu-se a se policiar para fazer uso das palavras certas ao fazer críticas e elogios na Casa Legislativa. Na reunião anterior, o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB) solicitou que o trecho da fala de Júnior Matuto fosse retirado das notas taquigráficas. 

MEA-CULPA – Junior Matuto se desculpou pelo discurso na reunião anterior. Foto: Jarbas Araújo

O pedido de desculpas de Júnior Matuto foi comentado por outros parlamentares. 

Luciano Duque (Solidariedade) afirmou que “as desculpas de Junior Matuto serão aceitas por todos, e o mínimo que podemos esperar  de vereadores e deputados é que tenham esse comportamento quando errem e peçam desculpas publicamente”. 

A deputada Débora Almeida (PSDB), frisou que todas as pessoas têm o direito de se posicionar, mas não podem fazer o debate desrespeitando pessoas. 

“É muito importante que nessa casa, no momento acalorado, a gente mantenha a cordialidade, o respeito e faça um bom debate. O deputado Junior Matuto se retratou, e isso é muito importante. Não é porque ele vem de uma família humilde que não tem que se policiar e ter respeito”, alertou. 

João Paulo também se manifestou em solidariedade à Raquel Lyra. Antes da retratação de  Junior Matuto, o petista afirmou na tribuna que os ataques à gestora no Legislativo estão “caracterizando misoginia”. 

Ele considerou importante o pedido de desculpas do deputado do PSB, mas lamentou o fato do socialista ter se retratado apenas ao Parlamento, e não diretamente à governadora. 

Sanções

Waldemar Borges prestou solidariedade ao secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales, que teve seu visto revogado pelos Estados Unidos na última quarta (14). 

A punição contra Sales foi determinada pelo governo Trump por conta da participação do gestor na criação do programa Mais Médicos. Os EUA avaliam que o programa explorava profissionais médicos de Cuba e financiou o regime daquele país, que sofre sanções estabelecidas na legislação estadunidense.

Borges ainda criticou os brasileiros que apoiam as medidas dos EUA contra o Brasil: “Esses que estão cometendo crime de lesa à pátria tem que ser punidos. E não pessoas como o secretário Mozart Sales, que fazem o bem ao país, sobretudo, em uma questão tão sensível como é a da saúde pública”, enfatizou o deputado.

Serra Talhada

REPÚDIO – Luciano Duque relatou manifestações racistas e preconceituosas na Câmara de Serra Talhada. Foto: Jarbas Araújo

O deputado Luciano Duque repudiou manifestações proferidas por vereadores da Câmara de Serra Talhada (Sertão do Pajeú). O deputado estadual afirmou que a vereadora Alice Conrado utilizou insultos racistas contra o também vereador China Menezes durante uma sessão legislativa. 

Luciano Duque condenou a vereadora, e ressaltou que racismo é crime. “Quando um parlamentar fala nesse tom, ele chancela um comportamento secular que causa dor e morte e reforça o preconceito no parlamento”, salientou.  

Duque também censurou uma declaração do presidente da Câmara de Vereadores de Serra Talhada, Manoel Enfermeiro. O vereador criticou a nomeação da enfermeira Ákila Monique como diretora do Hospital Regional Agamenon Magalhães (Hospam) e afirmou que “enquanto botar enfermeira para ser diretora não se resolve a situação do hospital”. 

Para o deputado, as declarações de Manoel Enfermeiro são preconceituosas e descredibilizam a enfermagem. “A enfermagem é um ponto de contato precioso com o paciente: é quem está na ponta, no cuidado diário, acolhendo, apoiando e escutando e, como qualquer outro profissional de saúde, conhece e tem capacidade de fazer gestão”, considerou.

Bodocó

O deputado João Paulo Costa (PCdoB) fez um apelo ao Governo para que sejam concluídas as obras de requalificação da rodovia PE-560.

OBRA – João Paulo Costa cobrou a conclusão da recuperação da PE-560. Foto: Jarbas Araújo

A estrada tem 13 km de extensão e liga o distrito de Sipaúba ao município de Bodocó, na região do Sertão do Araripe. O parlamentar disse que a via é importante para a indústria de extração de gesso e para a produção agropecuária local. 

“O Governo disse que a obra seria entregue em 10 meses. Já está em um ano e meio e essa obra não foi entregue. Mas tenho certeza que o Governo do Estado não vai se furtar de entregar essa importante rodovia, que eu vou ficar fiscalizando essa obra, que já é um sonho do povo de Bodocó há mais de 50 anos”, declarou. 

Concurso Unificado 

O deputado Cayo Albino (PSB) criticou o Governo do Estado por não incluir Garanhuns (Agreste Meridional) como uma das cidades contempladas para aplicar as provas do primeiro Concurso Unificado de Pernambuco. O certame visa oferecer 455 vagas em mais de 40 cargos ou especialidades dos níveis médio e superior e serão aplicadas em 10 municípios pernambucanos. 

CONCURSO – Cayo Albino questionou ausência de Garanhuns entre os locais de prova. Foto: Jarbas Araújo

Albino lembrou que Garanhuns é a nona cidade mais populosa do estado, com infraestrutura para a realização das provas e questionou o critério usado para a escolha das cidades selecionadas. “Nossa gente precisa e quer a chance de competir em pé de igualdade”, cobrou.

Polícia Civil

O deputado João Paulo (PT) falou ainda sobre a implementação em Pernambuco da Lei Orgânica Nacional dos Policiais Civis. O tema foi debatido numa audiência pública realizada na última terça (12) na Alepe. A Lei Orgânica foi aprovada pelo Congresso e, de acordo com o parlamentar, representa um marco histórico por estabelecer a valorização dos policiais e a modernização das polícias civis em todo o país. 

João Paulo ressaltou que agora é necessário elaborar a regulamentação estadual da lei. “Cabe a nós, no plano estadual, regulamentar e aplicar essas diretrizes de forma que respondam às necessidades concretas da nossa corporação e população”, disse.