Audiência na Alepe cobra políticas públicas sobre HIV/Aids em Pernambuco

Em 08/08/2025 - 10:06
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PÚBLICO – Movimentos sociais, gestores e parlamentares participaram do debate. Foto: Nando Chiappetta

Pernambuco confirmou 2.312 novos casos de HIV/Aids em 2024, segundo o último Informe Epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde. Além dos números globais, o documento aponta aumento nos diagnósticos entre homens de 20 a 29 anos e entre mulheres de 40 a 49 anos. Os desafios para prevenção do vírus e o acesso ao tratamento médico foram temas de audiência pública da Comissão de Cidadania da Alepe na quinta (7).

Presidente do colegiado, a deputada Dani Portela (PSOL) afirmou que os dados mostram a urgência em se debater o tema com profundidade. Além disso, a psolista fez cobranças ao Governo do Estado para ampliar a testagem – identificando os casos de maneira mais precoce –, lançar campanhas específicas para cada público e interiorizar a assistência. 

Para a parlamentar, “é preciso um incentivo maior às políticas de prevenção”. “A gente precisa pensar em sair daqui com esperança. Esse não é um problema apenas das pessoas que vivem e convivem com HIV e Aids. É um problema de todos nós e do Estado, que precisa tratar o tema como prioridade”, argumentou.

Sociedade

Representante do Movimento Cidadãs Posithivas de Pernambuco, Ivanise de Vasconcelos defendeu que o poder público vá além da testagem e do tratamento básico. Ela reforçou a importância de se atenderem às demandas de cada camada social. Como exemplo, citou a urgência de passe livre no transporte público para pessoas de baixa renda com HIV ou Aids.

TRANSPORTE – Ivanise de Vasconcelos defendeu passe livre para pessoas com HIV/Aids. Foto: Nando Chiappetta

“Se uma mãe só tiver R$ 10 no bolso e tiver de escolher entre alimentar o filho ou pagar a passagem de ônibus para buscar tratamento, obviamente escolherá comprar comida. Situações como essa são reais”, disse.

Vice-presidente da associação Mães da Resistência, Melyssa Chaves comentou pesquisa recente feita pela entidade com gestores públicos. De acordo com ela, os resultados mostram um investimento maior das capitais, como Recife, em políticas de prevenção. “A gestão recifense disponibiliza e aplica todas as políticas de prevenção e profilaxia ofertadas pelo Ministério da Saúde”, observou.

Poder Público

Gestor da Política LGBTQIAPN+, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Prevenção à Violência do Estado, Denilson Cunha salientou o trabalho intersetorial do Governo do Estado. O gestor citou a inauguração de um ambulatório especializado no Hospital Correia Picanço como reforço à rede de atenção à saúde das pessoas que vivem com HIV e Aids. 

ESTADO – Denilson Cunha ressaltou ampliação do acesso à prevenção e diagnóstico. Foto: Nando Chiappetta

Ele também destacou ações de prevenção combinada, diagnóstico precoce e tratamento continuado, com foco em populações vulneráveis. “Reafirmo também o nosso compromisso com o SUS, como ferramenta fundamental de proteção à vida”, disse. Essa gestão tem como princípio a abertura ao diálogo. Inclusive, percorremos, nos últimos três meses, diversas microrregiões para escutar a população”, emendou.

Gerente de Vigilância das Infecções Sexualmente Transmissíveis e Aids da Secretaria Estadual de Saúde, Graziele dos Santos Vasconcelos acrescentou que Pernambuco possui hoje unidades de atendimento de DST/Aids em 37 municípios. “Estamos trabalhando cada vez mais na estratégia de ampliação da prevenção em nossos serviços”, afirmou.

O coordenador de DST/Aids da Prefeitura do Recife, Airles Ribeiro, apresentou a ação “Vamos prevenir, vamos testar”, que leva uma van para realizar testagem rápida e conscientização. Ele ainda ressaltou que, no Recife, a população tem acesso rápido e fácil às medicações necessárias, inclusive antes de uma possível exposição ao vírus. 

“Depois de dialogar muito com os movimentos, nós conseguimos institucionalizar a Profilaxia Pré-Exposição (Prep) como uma das melhores e mais práticas formas de prevenção. Isso foi resultado de muita luta e debate”, ponderou.    

Encaminhamentos

PRESIDENTE – Dani Portela defendeu incentivo a políticas preventivas e interiorização da assistência. Foto: Nando Chiappetta

Ao final da audiência, Dani Portela anunciou que a Comissão vai oficiar governos estadual e municipais para saber se existem ações para o envelhecimento saudável de pessoas com HIV ou Aids e cobrar maior diálogo da administração Raquel Lyra com coletivos. Também será solicitada à Secretaria de Assistência Social a disponibilização de cestas básicas para pessoas com HIV, Aids e tuberculose.

A deputada anunciou, ainda, a apresentação de um projeto de lei voltado a políticas públicas de saúde para mulheres e meninas em vulnerabilidade, enfrentamento de infecções sexualmente transmissíveis e combate ao preconceito. A proposta, de sua autoria, foi elaborada com a contribuição de diversas entidades atuantes na causa HIV e Aids. 

Selo

ONU – Gi Carvalho recebeu Selo ODS Brasil pelo trabalho das Mães da Resistência. Foto: Nando Chiappetta

Durante o debate, foi entregue o Selo ODS Brasil à associação Mães da Resistência. A iniciativa, da Organização das Nações Unidas (ONU), reconhece entidades que atuam na promoção dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A homenagem foi entregue à presidente do coletivo, Gi Carvalho, pela fundadora do projeto Vozes da Inclusão, Júlia Chade. 

O Mães da Resistência é um movimento de ativismo de mães de pessoas LGBTQIAPN+ para transformação social e inclusão. Além da entidade, também participaram do encontro representantes da Gestos, do Movimento Aids Pernambuco, Rede Nacional de Pessoas que Vivem com HIV/Aids, entre outros.