Colegiado escuta demandas de músicos e de mães de crianças neuroatípicas

Em 10/04/2024
-A A+

A Comissão de Educação da Alepe promoveu, nesta quarta, novo encontro para colher demandas da sociedade civil. Primeira entidade a se manifestar, a Federação das Bandas Filarmônicas de Pernambuco pediu o apoio do colegiado para cobrar do Poder Executivo o atendimento de grupos do interior do Estado por meio do Projeto Bandas de PE. Presidente da entidade, Estevam Vieira explicou que a iniciativa, em andamento desde 2007, tem como missão capacitar músicos de bandas filarmônicas de municípios de todo o Estado, com módulos presenciais. Entretanto, a ação – executada pelo Conservatório Pernambucano de Música – estaria concentrando a assistência apenas a grupos da Região Metropolitana do Recife e sem resultados concretos para a melhoria dos grupos. Para a gente, fica aqui essa indignação, na verdade, porque nesses catorze anos, se vocês perguntarem  qual foi desses alunos que teve um bom proveito desse projeto, a gente não consegue dizer. E  nas bandas, o que ficaram para as bandas: Nada! Em outras épocas, na década de 90, havia projeto que deixava em cada banda que o projeto chegava, deixava instrumentos musicais, que é uma das maiores carências dessas bandas se manterem.” 

A segunda demanda partiu de um grupo de mães de crianças neuroatípicas de Olinda, na Região Metropolitana. Elas pedem que a gestão municipal disponibilize mediadores pedagógicos de classe nas escolas públicas olindenses. Isadora Jucene, mãe de uma criança neuroatípica, contou que no início deste ano, depois de três anos que o filho estudava na Escola Municipal Isaac Pereira da Silva, no bairro de Casa Caiada, ela foi informada de que o menino não mais poderia frequentar as aulas. “No meu caso individual, eu fui chamada na escola, fui convocada para uma reunião na escola, antes do início letivo das aulas, para ser comunicada que essas crianças não poderiam, não iam iniciar o ano escolar por falta do mediador de classe, de acompanhante escolar, como a gente mais conhece os estagiários de psicologia e de pedagogia, que dão esse suporte às nossas crianças.”    

A explicação da gestão municipal, segundo as famílias, é a de que o número reduzido de mediadores contratados deve-se à pouca oferta de mão de obra. As mães passaram a provocar individualmente o Ministério Público e o Conselho Tutelar na tentativa de garantir a educação inclusiva, como afirmou Elisângela Araújo, também mãe de uma criança neuroatípica. Como mãe solo em tempo integral, é exaustivo, é cansativo, eu estou gritando já. Eu espero de coração que esta Casa acolha essas demandas que a gente está trazendo do município, com muito carinho, porque infelizmente, quando chega aos 12 anos, os meninos são abandonados. O meu filho está sendo jogado de uma série para outra, sem o direito de ao menos frequentar a sala de aula.

Após a escuta dos grupos, a Comissão presidida pelo deputado Waldemar Borges, do PSB, se disponibilizou a intermediar o diálogo com os órgãos envolvidos. No caso das solicitações da Federação das Bandas Filarmônicas, o colegiado deverá encaminhar um pedido de informação ao Conservatório Pernambucano de Música. Já em relação à situação escolar em Olinda, uma audiência pública poderá ser realizada, por sugestão dos deputados João Paulo, do PT, e Dani Portela, do PSOL. Os parlamentares também se dispuseram a conversar com vereadores de Olinda para que convoquem gestores da Prefeitura para um debate na Câmara Municipal.