Juntas lamentam violência contra mulheres trans às vésperas do Dia do Orgulho LGBTQIA+

Em 30/06/2021 - 21:54
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APOIO – Segundo Jô Cavalcanti, mandato coletivo conseguiu aprovar na Casa seis proposições e oito emendas parlamentares para proteção do segmento. Foto: Nando Chiappetta

Em discurso no Pequeno Expediente da Reunião Plenária desta quarta (30), a deputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas (PSOL), lamentou dois registros de violência extrema contra mulheres trans, no Recife, em um intervalo de menos de dez dias. Como observou a parlamentar, os casos engrossam as estatísticas de crimes contra essa parcela da população no mês em que se assinala o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, comemorado em 28 de junho.

No primeiro deles, Kalyndra da Hora, uma mulher trans de 26 anos, foi encontrada morta dentro da própria casa, no bairro do Ipsep, Zona Sul, no dia 18 de junho. O corpo dela apresentava sinais de asfixia. Na segunda ocorrência, Roberta Silva, 33 anos, teve 40% do corpo queimado por um jovem, no Cais de Santa Rita (Centro), na quinta passada (24). Ela está em tratamento no Hospital da Restauração e, de acordo com Jô, o mandato das Juntas tem acompanhado de perto a evolução do quadro.  

Durante o pronunciamento, a psolista resgatou a história do movimento que deu origem à celebração. “Em 1969, num bar na cidade de Nova York, Estados Unidos, um grupo de pessoas LGBTs se levantou contra abordagens policiais humilhantes e recorrentes. Ao longo de diversos dias, foram registradas diversas manifestações de rua, que desencadearam marchas pela visibilidade dessa população em todo o mundo”, destacou, salientando ser a data um momento de luta por direitos. 

Para Jô, é lamentável que, ainda hoje, seja necessário brigar pela vida desses cidadãos e cidadãs. Conforme frisou, a cada 26 horas, uma pessoa LGBT morre no Brasil. Além disso, o País também está à frente de outra estatística específica, por ser o que mais mata transexuais. “É inadmissível, por exemplo, ver uma escola cristã de Aldeia (Camaragibe), como ocorreu por esses dias, disseminando o ódio nas redes sociais”, condenou a parlamentar.

A deputada disse esperar que um dia não haja mais a necessidade de combater ocorrências como essa. “Basta disso! Queremos falar em vida e não mais nas vítimas dessa violência. Por isso, esperamos políticas públicas mais efetivas do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife. É preciso atitude para mudar esse cenário”, cobrou. Ao todo, de acordo com balanço da psolista, o mandato coletivo Juntas conseguiu aprovar na Casa seis proposições e oito emendas parlamentares para proteção desse segmento.