Retomada das atividades no Polo de Confecções do Agreste motiva debate na Alepe

Em 24/07/2020
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Pernambuco tem três grandes desafios na retomada das atividades nesta pandemia do novo coronavírus: as escolas, a Ilha de Fernando de Noronha e o Polo de Confecções do Agreste. A análise é do secretário de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Bruno Schwambach, e foi apresentada em reunião da Assembleia Legislativa, realizada remotamente nesta sexta, para discutir a situação das feiras em Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.

O gestor explicou a complexidade do retorno de uma estrutura tão grande quanto a do Polo de Confecções. “O Polo de Confecções de Pernambuco é um caso único talvez no mundo. Eu não conheço uma atividade tão diferenciada, que envolva tanta gente, tantos trabalhadores, de forma tão fragmentada. É realmente de uma complexidade muito grande para esse tipo de inimigo que a gente tem que é um vírus, que se prolifera com aglomeração.”

O deputado Tony Gel, do MDB, que tem base eleitoral em Caruaru, explicou que os feirantes estão atuando nas ruas de maneira informal, o que aumenta o risco de disseminação do vírus. “É preferível que a feira seja retomada, com todos os cuidados, com todos os protocolos. Da maneira que está, o índice de contágio eu tenho certeza que está enorme, é muito grande pela desorganização, porque cada um se vira como pode.”

Na mesma linha, o prefeito de Toritama, Edilson Tavares, relatou a grave situação econômica do município, que tem 95% da população ativa trabalhando no setor de confecções. “Essa última semana recebi uma ligação e comecei a conversar com um empresário e ele começou a descrever a sua situação econômica e ele começou a chorar, porque tinha perdido tudo o que tinha acumulados nos últimos 23 anos.”

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, André Teixeira, afirmou que o município já apresentou protocolos de segurança e aguarda a autorização do Governo para retomar a realização das feiras.  O gestor da pasta em Santa Cruz do Capibaribe, Isaac Aragão, fez um apelo para que a abertura seja feita o mais rápido possível.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Caruaru, Luverson Ferreira, apresentou dados oficiais para defender o retorno das atividades. “Hoje nós temos 73% de utilização de UTI e 55% de utilização de enfermaria,  279 leitos de UTI vagos. Nós, como entidades responsáveis, estamos defendendo coisas plausíveis.”

A defesa pela reabertura também esteve presente nos pronunciamentos de representantes de associações de lojistas, de feirantes, e de empresários dos três municípios. O presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, deputado Delegado Erick Lessa, do PP, reforçou o pedido e disse acreditar que o setor está preparado para seguir as normas de segurança. “Nós temos, efetivamente, uma condição de diminuir e minimizar talvez um dano maior, como foi repassado por vários aqui. As pessoas estão vendendo as suas roupas no braço, no pescoço, na bicicleta, na moto, na mala do carro.”

Diante de todas as defesas pelo retorno das atividades, o secretário Bruno Schwambach se comprometeu a levar as informações para o comitê de crise do Governo do Estado. Entretanto, argumentou que os números de casos de síndrome respiratória aguda grave ainda não apontam a segurança necessária para o retorno. “Se esse número está crescendo, fica muito difícil de a gente fazer os avanços nas etapas, a gente precisa que tenha uma estabilização e melhor ainda, que tenha uma tendência de queda, porque na hora que a gente bota as atividades econômicas para funcionar, obviamente as pessoas estão circulando e o vírus passa a circular mais.”

O deputado João Paulo, do PCdoB, disse ser equivocado justificar a reabertura com base na clandestinidade da atuação de certos feirantes e criticou o Governo Federal pela omissão no combate ao novo coronavírus.