Resumo do Plenário: Impacto do coronavírus nas populações mais vulneráveis preocupa parlamentares

Em 17/03/2020
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As consequências da pandemia de coronavírus no Brasil concentraram as discussões da reunião plenária da Alepe nesta terça. O deputado João Paulo, do PCdoB, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro se tornou um problema de saúde pública. Ele ainda criticou os líderes evangélicos bispo Edir Macedo e pastor Silas Malafaia por declarações que minimizaram o problema e adotam explicações religiosas para a doença. João Paulo também destacou que o impacto da crise deve ser maior sobre pobres e precarizados. “A escolha é difícil e cruel, ficar em isolamento ou ter o que comer? Enquanto pessoas falam em trabalhar em casa, no sistema online, outras, que estão nos caixas de supermercados, atendem nas farmácias, fazem entregas por aplicativos, os motoristas de caminhão, profissionais de saúde, permanecem nos seus postos por falta de escolha”.

Já o deputado presbítero Adalto Santos, do PSB, ressaltou que as igrejas evangélicas estão cumprindo as orientações do Governo do Estado e limitando a presença nos cultos a 500 pessoas. O parlamentar ainda afirmou que a vontade de Deus é preponderante em todos os momentos. A situação dos mais vulneráveis também foi abordada por  William Brígido, do Republicanos. Ele lembrou que Pernambuco tem mais de 658 mil desempregados e 4 milhões de trabalhadores informais. O parlamentar destacou que, além de medidas voltadas ao setor informal da economia, é preciso renegociar dívidas das empresas e evitar uma onda de demissões.

Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, informou que, em reunião dos deputados com o governador Paulo Câmara, realizada na última segunda, entregou um documento que solicita a adoção de uma série de medidas voltadas a grupos mais suscetíveis aos impactos do coronavírus. “O que nos preocupa fortemente é a situação das pessoas que vivem com HIV e Aids. Demandamos também que sejam tomadas medidas de proteção e auxílio a pessoas que vivem em situação de rua, tendo em vista que o grau de exposição a contaminação é muito alto”.

Tony Gel, do MDB, também repercutiu a reunião com o governador. Ele saudou o anúncio da reserva de 52 leitos do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste Central,  para possíveis pacientes do coronavírus. O deputado ainda alertou para a necessidade de que o abastecimento de água em áreas de risco, como o Pólo de Confecções de Caruaru, seja prioridade da Compesa. Já o deputado Gustavo Gouveia, do DEM, solicitou a instalação de álcool gel em 64 pontos de transporte urbano, a exemplo do Terminal Integrado de Passageiros do Recife. O parlamentar ainda fez um apelo ao governador do Estado para que seja reduzido o ICMS de produtos usados na prevenção do contágio pelo coronavírus, como álcool gel, luvas e máscaras cirúrgicas. “O Procon do Recife registrou, a partir de denúncia de consumidores, um aumento de até 400% no preço do álcool gel e máscaras cirúrgicas, materiais usados na prevenção contra a propagação do novo coronavírus”.

O impacto econômico da crise, no Estado, foi comentado por Alberto Feitosa, do Solidariedade. Ele argumentou que há empresários desesperados com a queda de demanda em razão da pandemia e defendeu que o Estado adote medidas voltadas a setores mais afetados, como turismo, transporte, restaurantes e profissões liberais. Em aparte, Priscila Krause,  do DEM, destacou que a situação é inédita, e a Alepe está unida para ajudar no combate ao Covid-19. Antônio Fernando, do PSC, alertou para o risco que correm as populações do interior, a exemplo do Sertão do Araripe, que, segundo ele, conta com apenas dez leitos de UTI para 450 mil habitantes.