Centenas de trabalhadores ligados à pesca artesanal reivindicaram, nesta terça, providências concretas capazes de reduzir os danos do derramamento de petróleo no litoral pernambucano nas comunidades que sobrevivem da atividade. Na audiência pública promovida pela Comissão de Cidadania da Alepe, eles reclamaram, da falta de segurança sobre o consumo dos pescados e da paralisação das vendas.
Ângela Fonseca, do Movimento dos Pescadores e Pescadoras Artesanais e presidente da Colônia Z-14, em Goiana, Região Metropolitana, relatou a situação enfrentada desde que as manchas começaram a aparecer. “A gente não está podendo mais comprar nossa alimentação suficiente. Nós somos pescadores, não somos miseráveis, mas mesmo assim já estamos virando miseráveis, porque está sendo cortada nossa internet, estamos sem bujão de gás para cozinhar, estamos na lenha. ‘Ah, mas o petróleo não chegou em Goiana’, mas o impacto chegou, e é com esse impacto que estamos sofrendo.”
A procura por produtos como mariscos, sururu, ostras e caranguejo caiu mais de 90%, de acordo com levantamento feito pelo Fórum SOS Mar, da Universidade Federal de Pernambuco. Professor do Departamento de Sociologia, o pesquisador Cristiano Ramalho alerta para a paralisação de toda uma cadeia produtiva, que envolve não apenas os pescadores, mas pequenos comerciantes como atravessadores e vendedores de praia. A falta de alternativa leva ao consumo dos pescados pelos próprios trabalhadores, um risco a saúde na avaliação da pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, Aidê Gurgel. Além da contaminação aguda, como os 149 casos de pessoas que tiveram contato com os resíduos e apresentaram desde náuseas até pneumonia química, há potencial para o desenvolvimento de doenças crônicas, na opinião da especialista.
A secretária executiva de Meio Ambiente, Inamara Melo, disse que o Governo do Estado vem cobrando providências do Governo Federal, competente para atuar no caso de desastres ambientais de origem não identificada, e pediu aos movimentos que façam pressão política para incluir trabalhadores sem o registro de pescador profissional na Medida Provisória assinada pelo presidente Bolsonaro que cria um auxílio emergencial. Ela rebateu críticas de omissão do Estado no caso. “O governo do Estado tem sido absolutamente ativo desde o primeiro instante. Nós tiramos mais de mil e seiscentas toneladas de petróleo cru das nossas praias, dando a destinação correta. Nós contratamos duas empresas de gerenciamento de resíduos perigosos. Nós fizemos o lançamento, através da Facepe, de um edital de dois milhões e meio de reais, para pesquisas”.
O monitoramento das praias e cadastramento de pescadores foram outras ações apontadas pela secretária.
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