População de Ibimirim cobra abastecimento de água na região

Em 25/11/2019
-A A+

Comissão de Meio Ambiente discutiu, na última sexta, com a população de Ibimirim, no Sertão do Moxotó, a escassez de água e as obras dos Governos Estadual e Federal na região. A audiência pública lotou a Quadra Poliesportiva João Inocêncio C. Lima, e teve a participação de moradores, agricultores, representantes da Prefeitura, Compesa, Dnocs, Ministério Público, além de organizações da sociedade civil. De acordo com moradores, o abastecimento de água ocorre, em média, a cada oito dias nas áreas atendidas pela Compesa. Eles apontam, ainda, falta de manutenção na infraestrutura hídrica, poços artesianos insuficientes e sem conservação, dependência de carros-pipa nas áreas rurais e necessidade de revitalização da Barragem Engenheiro Francisco Sabóia, conhecida como Poço da Cruz. Também houve reclamações sobre o abandono do Perímetro Irrigado do Moxotó, que atende 564 pessoas.

Severino Anoro da Silva, morador da Agrovila IV, pediu a recuperação dos canais que levam água do Poço da Cruz, para que possa voltar a plantar. Francisco Manuel da Silva, do conselho gestor do Açude Poço da Cruz, solicitou a conclusão das obras da Transposição do Rio São Francisco até o reservatório. Cacique do povo kambiwá, Josué Pereira da Silva reivindicou soluções para que o abastecimento no território indígena não dependa de carros-pipa: “Muitas vezes, a prefeitura manda o carro-pipa mas não é suficiente pra…né, ficar o pessoal ficar abastecido 8, 15 dias e aí existe dias durante o mês, durante a semana, muitas vezes a gente não tem água sequer para cozinhar, e a gente tá atrás de uma solução, porque a gente sabe que o carro-pipa ele vai ser sempre paliativo, né. E a gente precisa que se perfure um poço para poder a gente ter a garantia que a gente vai ter uma água permanente lá”.

Ivanete Lima, da unidade demonstrativa da Agrovila VIII, reclamou que, há três anos, a bomba do poço está quebrada. Alexandra da Silva, moradora do bairro da Boa Vista, reforçou que a Compesa libera a água uma vez por semana, mas não dá nem para encher a caixa d’água. Gerente-geral da Compesa na região do Moxotó, Dênis Mendes disse que, em 2018, foi feita uma ampliação do sistema de abastecimento de Ibimirim, levando água para o Alto da Boa Vista. Ele informou que a meta é acabar com o rodízio na cidade: “Nós estamos projetando, já temos o projeto quase concluído, o orçamento com estimativa de custo, também, para perfuração de dois novos poços em Ibimirim. E com isso aí a gente vai chegar na demanda necessária para a cidade e com isso a gente elimina o rodízio da cidade de Ibimirim”.

Entre os encaminhamentos da audiência, o presidente da Comissão de Meio Ambiente, deputado Wanderson Florêncio, do PSC, anunciou que serão enviados ofícios para os órgãos estaduais e federais competentes: “Vários projetos estão em encaminhamento, então nós queremos saber qual é o prazo disso, qual é o cronograma, não é, qual estágio que tá, que estão esses projetos, o que é que falta para que ele possa sair do papel e efetivamente trazer a água para o povo de Ibimirim. Portanto acredito que esse foi um pontapé inicial, não é, de uma luta aí com a sociedade e as instituições para que a gente possa agora politicamente cobrar providências dos órgãos e instituições que devem e o povo merece ter essa resposta”. 

O prefeito de Ibimirim, José Adauto da Silva, expôs ações para reduzir a necessidade de carros-pipa, como perfuração de poços. Ele ainda apontou dificuldade de interlocução política com o Governo Federal, para atender às demandas da população. O técnico do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs) José Wilton dos Santos entregou uma pauta de reivindicações que inclui a recuperação da estação de piscicultura, construção de poços para 4,5 mil famílias e implantação de 120 sistemas de dessalinização. O documento também pede estudos e projetos de readequação de barragens nos municípios de Itapetim, Flores, Parnamirim e  Tuparetama, no Sertão do Estado.