A Plataforma Monitora, criada há sete dias para avaliar o estado de saúde das pessoas que tiveram contato com o óleo nas praias de Pernambuco, identificou que 90% dos entrevistados apresentaram algum tipo de sintoma devido ao contato com as substâncias tóxicas. A iniciativa, que partiu de um grupo da sociedade civil, já aplicou 744 questionários, que revelaram reações como dores de cabeça, náuseas, diarreia, tonturas, desmaios, irritações na pele, entre outros problemas.
As informações foram apresentadas durante reunião da Comissão de Cidadania, realizada na Alepe, na tarde desta terça. Um dos idealizadores da plataforma, Henrique Espírito Santo, cobrou políticas de saúde pública para atender a essa parcela da população. “A nossa preocupação é que esses voluntários e essas pessoas que tiveram contato com petróleo não sejam esquecidas. Então, nossa proposta é pegar essa base de pesquisa e apresentar tanto à população quanto às autoridades para que medidas sejam tomadas.”
A médica sanitarista Lia Giraldo, pesquisadora da Fiocruz, reforçou a necessidade de monitorar o estado de saúde das pessoas. Ela afirmou que os problemas já eram esperados, já que a maioria dos voluntários não utilizou os equipamentos de proteção necessários. “Eles não protegem completamente a pele, porque só luvas e botas – tem outras partes do corpo que ficaram expostas – e especialmente a inalação, porque esses produtos químicos são altamente voláteis, então, esses vapores entram pelas vias respiratórias e essas máscaras de filtro de papel ou de pano não barram esse tipo de vapor.”
A Fundaj, Fundação Joaquim Nabuco, representada pelo diretor de Formação Carlos Osório, informou que a entidade deve apresentar uma pesquisa socioeconômica sobre os impactos da tragédia até o mês de fevereiro. Também participaram do encontro representantes de ONG’s, da Ordem dos Advogados do Brasil e da Universidade Federal Rural de Pernambuco. Eles cobraram providências por parte do poder público.
A deputada Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas, do PSOL, ressaltou a importância do debate com todos os envolvidos. “A gente não pode se eximir dessa responsabilidade de trazer os movimentos sociais, a população, do caos que, de alguma forma, Pernambuco – não só Pernambuco, mas o Nordeste inteiro – está passando. Então, foi de extrema importância a gente estar aqui recebendo a população para estar debatendo esse tema tão importante.”
Também participaram do encontro os deputados Wanderson Florêncio, do PSC; João Paulo, do PCdoB; e Alessandra Vieira, do PSDB.
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