Representantes sindicais ouvidos nessa segunda na Comissão Especial da Reforma da Previdência da Alepe demonstraram preocupação com as novas regras de aposentadoria propostas pelo Governo Federal. Para o presidente da CUT Pernambuco, Paulo Rocha, o tempo exigido para o benefício integral, 40 anos de contribuição, significa que o trabalhador vai morrer sem sair da ativa. O sindicalista citou estudo em parceria com o Dieese que aponta uma média de nove recolhimentos anuais por profissional na iniciativa privada. Considerando essa conta, aos 40 anos de trabalho, o empregado ainda precisaria contribuir por mais 10. Mas para Paulo Rocha, os riscos da reforma vão ainda mais além. “Essa reforma da Previdência tem a ver com uma concepção de sociedade. Essa concepção de reforma fará com que haja uma transferência dos recursos públicos para o sistema financeiro, em particular para o segmento privado do sistema financeiro, retirando recursos de áreas sociais”.
Hemilton Bezerra, presidente estadual da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, CTB, entende que a matéria está sendo tratada de forma apressada e com pouco espaço para discussão no Câmara dos Deputados, em Brasília, onde a PEC aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça. Além das centrais sindicais, dezenove sindicatos de categorias como professores, metalúrgicos e servidores públicos enviaram representantes.
Presidente do Colegiado, o deputado Doriel Barros, do PT, disse que é importante ouvir o que pensam os trabalhadores para alertar a população e pressionar os parlamentares federais do Estado. “Nós queremos mostrar que a proposta, da forma como foi apresentada, é nociva a Pernambuco, é nociva aos municípios, vai quebrar os municípios, ao mesmo tempo que vai deixar milhões de trabalhadores sem condição de se aposentar. Então, esperamos que os deputados possam ter um posicionamento claro, que é defender Pernambuco, defender o seu povo, e principalmente, aqueles que mais trabalham que serão mais prejudicados caso essa reforma da previdência seja aprovada.”
Na próxima segunda feira, 29 de abril, a Comissão vai promover uma palestra com o economista Eduardo Moreira sobre os impactos da PEC da Reforma. Ainda como atividade do Colegiado Especial, será articulada audiência pública com a presença de parlamentares federais e caravanas do Interior do Estado.
Sindicalistas e deputados também defenderam a necessidade de promover uma greve geral nacional para barrar o projeto.
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