Conviver com o Semiárido é possível e depende de soluções baratas, mas a falta de políticas públicas efetivas tem colocado em risco a sobrevivência da população e permitido o avanço da desertificação. O alerta vem de especialistas que participaram de uma audiência pública da Comissão de Cidadania da Assembleia nessa quarta. Edneida Rabelo, pesquisadora da Fundaj e vice-presidente da Associação Águas do Nordeste, disse que o primeiro passo para o manejo sustentável do Semiárido é observar as variações da paisagem e compreender processos históricos e sociais: “Ao longo do tempo a gente tem períodos de chuva, períodos de estiagem, o fenômeno da seca acontecendo, o processo de desertificação podendo ser desencadeado, mudanças fortes na perspectiva social, mudanças políticas que trazem também reflexos diretos nessa região, e olhar essa lógica da convivência com o Semiárido é olhar para tudo isso”.
A pesquisadora defendeu que a seca, como qualquer fenômeno natural, não pode ser combatida, e criticou soluções propostas no passado, pautadas no assistencialismo. A construção de pequenas cisternas foi apontada como experiência capaz de transformar a realidade a um baixo custo. O coordenador do Centro Sabiá, Alexandre Pires, garantiu que cada unidade não passa de três mil e quinhentos reais, já contando a assistência técnica das famílias. Ele reclamou de cortes no orçamento para o programa de 2015 para cá, ainda mais considerando a seca de seis anos, entre 2012 e 2017.
Presidente do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste, Severino Ribeiro alertou para a inexistência de tecnologia capaz de recuperar, hoje, uma área desertificada. Por outro lado, ajudar a própria natureza a se recuperar é possível e viável: “Recuperar uma área a gente tá falando em restabelecer processos ecológicos, que são traduzidos em geração de água, geração de solo para a agricultura, da volta das espécies que atuam como controle biológico para cultivares agrícolas. São benefícios que a própria sociedade vai colher frutos dessa recuperação”.
Presidente do Colegiado de Cidadania, o deputado Edilson Silva, do PSOL, fez críticas ao que considera excesso de leis que permitem o desmatamento de áreas de preservação. “Além de não termos políticas públicas voltadas para essas questões, a ação política do Estado e a ação do homem também é uma ação que acelera esse processo”. A permissão para instalar torres eólicas nos brejos de altitude, aprovada no ano passado, foi apontada como exemplo.
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