Chacina em São José da Coroa Grande motiva discurso de Álvaro Porto

Em 19/02/2018 - 11:02
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Uma sequência de oito homicídios, registrada entre a quinta (15) e o sábado (17) na cidade de São José da Coroa Grande (Mata Sul), foi repercutida pelo deputado Álvaro Porto (PSD), no Grande Expediente dessa segunda (19). Segundo o parlamentar, a delegacia do município ficou fechada por quatro anos e só foi reaberta na semana passada.  

VIOLÊNCIA - Segundo parlamentar, o número de assassinatos nesse município da Mata Sul subiu de 18, em 2016, para 41 em 2017. Foto: Roberto Soares

VIOLÊNCIA – Segundo parlamentar, o número de assassinatos nesse município da Mata Sul subiu de 18, em 2016, para 41 em 2017. Foto: Roberto Soares

Na manhã da última quinta, três adolescentes foram assassinados no bairro de Nova Jagatá. No sábado, cinco pessoas foram mortas no bairro do Muruim – três homens e dois adolescentes, entre os quais uma menina de 12 anos. Segundo a Polícia Civil, as suspeitas iniciais são de que as duas ocorrências estão interligadas e acontecem num contexto de disputa entre grupos de traficantes de drogas.

“Com o segundo janeiro mais violento dos últimos dez anos, a população segue pagando uma conta alta pelos anos de desmonte das Polícias Civil e Militar e pela falta de comando do governador”, considerou Álvaro Porto. “Em São José da Coroa Grande, o número de homicídios subiu de 18, em 2016, para 41 em 2017. Com esse aumento de 127%, o município detém a maior taxa de assassinatos por cem mil habitantes em Pernambuco”, destacou o parlamentar.

Conforme o deputado, a Delegacia de São José da Coroa Grande foi reaberta em condições precárias na última quinta (15), após quatro anos sem funcionar. “O prédio está completamente deteriorado, com teto desabando e equipamentos sucateados. O cidadão que for atendido na unidade pode levar um choque, porque a energia foi religada às pressas num espaço cheio de infiltrações”, relatou Porto, que exibiu fotos do local na tribuna. “O abandono desse imóvel simboliza o descaso do Governo com a segurança”, comentou.

Deputados oposicionistas apoiaram o discurso no Plenário. “Quem vai para o Sertão verá delegacias mal aparelhadas e que sequer têm delegado”, ressaltou Augusto César (PTB). “Cidades que tinham poucos homicídios, como Arcoverde, hoje têm comerciantes e donos de casas lotéricas apavorados com a violência”, enfatizou Júlio Cavalcanti (PTB).  

“No ano passado, tivemos quase o dobro do índice de assassinatos do Rio de Janeiro, que está sofrendo intervenção federal. O Governo responde a esse cenário tentando ‘enrolar’ a população com sua máquina de propaganda”, avaliou Edilson Silva (PSOL). “Como a gestão pode deixar uma delegacia fechada por quatro anos e só reabri-la depois de uma chacina?”, criticou o psolista.

As críticas da Oposição foram respondidas pelo líder do Governo, Isaltino Nascimento (PSB). Segundo o socialista, não houve apenas reposição, mas aumento real do número de policiais civis e militares no Estado, com a posse de 1,2 mil policiais civis e científicos e de 1,5 mil PMs.  

“Não ocorreu uma enorme saída de servidores das Polícias Civil e Militar. Em 2016, saíram 153 policiais civis e científicos e 562 PMs. Isso mostra a falácia da argumentação da Oposição”, apontou Nascimento, contrariando o discurso feito por Álvaro Porto na reunião do dia 6 de fevereiro. “Estamos garantindo que todas as delegacias do Estado tenham delegados e escrivães. Quem quiser buscar uma dificuldade circunstancial vai achar, mas é algo pontual, pois o que temos é uma política de valorização da polícia em Pernambuco”, salientou o socialista.

O líder governista ainda relacionou os homicídios na Mata Sul à disputa entre facções nacionais por pontos de tráfico de drogas na região. “Como mostra o assassinato de duas lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará, está havendo uma forte disputa pelo controle do tráfico em todos os Estados do Nordeste”, prosseguiu Nascimento. “No caso de São José da Coroa Grande, essa disputa tem a ver com a venda de entorpecentes para turistas de Maragogi (AL), que está no limite com o município pernambucano. Nenhuma polícia do mundo poderia evitar as mortes como elas ocorreram, mas já estamos atuando para coibir a criminalidade na região”, garantiu.

Em aparte, Waldemar Borges (PSB) afirmou que “a Oposição fala da falta de delegados como se não fosse assim antes do atual Governo”. “É  uma situação histórica que agora está sendo enfrentada. Os oposicionistas deveriam reconhecer os esforços feitos, sem evidentemente deixar de cobrar”, avaliou.