
OPINIÃO – “Há radicalismos em ambos os lados. Entretanto, é necessário trabalhar para todos, embora seja preciso respeitar a decisão da maioria em questões que toquem os valores cristãos”, diz Pastor Cleiton Collins. Foto: Jarbas Araújo
Filhos de um mesmo contexto histórico – o processo de redemocratização do final dos anos 1980 –, movimentos sociais e bancadas evangélicas têm se enfrentado em diferentes momentos nos parlamentos. Lideranças de grupos protestantes passaram a se articular em torno de pautas conservadoras, em um cenário no qual cresce a adoção de políticas públicas sob a orientação de entidades que defendem, para mulheres e populações LGBT, a ampliação de direitos sexuais e reprodutivos.
O incremento do poder político da representação pentecostal faz-se sentir. Nos últimos tempos, grupos cristãos organizaram resistência bem-sucedida nos Legislativos contra pautas que contrariam suas convicções. Na Alepe, por exemplo, assim como em outras Assembleias Legislativas, parlamentares evangélicos arregimentaram apoio para retirar do Plano Estadual de Educação metas relacionadas à prevenção da discriminação de gênero nas escolas.
“Nossa luta é para que a política seja para todos, sem privilégio para nenhum movimento ou setor”, afirma o deputado Pastor Cleiton Collins (PP), em resposta aos críticos que acusam os evangélicos de intolerantes. O parlamentar identifica “radicalismos em ambos os lados” e acredita ser necessário “trabalhar para todos, embora seja preciso respeitar a decisão da maioria em questões que toquem os valores cristãos”.
Para Joanildo Burity, cientista político da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a disputa entre segmentos pentecostais e movimentos por direitos sexuais pode ter relação com o caráter público que a religião assumiu. “Ao mesmo tempo em que produz realinhamentos e passa a exercer influência em outras esferas, a politização de grupos religiosos cobra um preço”, entende o estudioso. “Se uma igreja pretende que seus valores sejam adotados por toda a sociedade, essa mesma sociedade passará a discutir as convicções desse grupo religioso”, explica.
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