A Empresa Brasil de Comunicação foi tema de debate na Reunião Plenária desta segunda, depois de ser destaque na imprensa nacional devido ao anúncio de cortes e modificações na grade de programação feito pelo governo de Michel Temer. Em pronunciamento, o deputado Antônio Moraes, do PSDB, repercutiu um texto do jornalista Fábio Campana que acusa a EBC de ser um cabide de empregos petista. A publicação lista alguns dos programas que foram cancelados ou tiveram o orçamento reduzido pelo presidente interino, como o Papo de Mãe, Expedições e o Observatório da Imprensa. Antônio Moraes declarou que a estatal, responsável pela TV Brasil e pela NBR, desperdiçava milhões de reais dos contribuintes em programas de amigos petistas. “Um deles, do diretor Aderbal Freire Júnior, casado com a atriz Marieta Severo, recebia nada mais nada menos que R$ 91 mil por mês, cinco vezes mais que o presidente da EBC, para fazer um programa que ninguém vê e, diga-se de passagem, de péssimo conteúdo.” O programa citado pelo parlamentar se chama “Arte do Artista”.
Odacy Amorim, do PT, classificou como lamentável a tentativa de impedir a execução de um projeto sério de comunicação pública como o da EBC, que segundo ele, precisa de investimentos. Sobre a acusação de que o dinheiro investido era desperdiçado, Odacy solicitou informações sobre a verba destinada a publicidade nas empresas privadas. “A conta da TV pública é de milhões, não bilhões. O que se investe em mídia e comunicação da estrutura das estatais, do Governo Federal, ao longo de uma década, chega a passar de milhões. É importante ter um canal de comunicação, e essa atitude, de querer desqualificar isso, não vai justificar o autoritarismo.”
O posicionamento de Antônio Moraes diante das alterações na EBC também foi criticado por Edilson Silva, do PSOL, que declarou que a gestão Temer é fruto de um golpe. “Uma resposta ao que foi dito aqui pelo deputado Antônio Moraes: é muita ousadia do deputado do PSDB vir a essa tribuna querer, exatamente no dia de hoje, tecer elogios a este Governo, hoje mais do que nunca, caracterizado como um governo golpista.” No último dia 16, o governo de Michel Temer exonerou o então diretor-presidente da EBC, Ricardo Melo, e anunciou que vai fazer mudanças no perfil das emissoras públicas.

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