Uma liminar concedida pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, determinou a suspensão do mandato do deputado federal Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, presidente da Câmara. A decisão foi comemorada no Plenário desta quinta, pela deputada Teresa Leitão, do PT, e os deputados Edilson Silva, do PSOL, e Romário Dias, do PSD.
Romário defendeu que o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, também deveria ser afastado:
“Deveriam ter afastado Renan Calheiros, também de imediato. Porque nós não podemos ter, num país sério, um presidente da Câmara e um presidente do Senado que envergonham a população.”
Teresa Leitão contestou, entre as ações de Cunha, a criação de uma CPI para a investigar a União Nacional dos Estudantes, a UNE, na última quarta. A deputada elogiou o engajamento da juventude na política, como os estudantes secundaristas que invadiram a Assembleia Legislativa de São Paulo esta semana, para exigir a instalação de uma CPI que investigue desvios de verba de merenda, na rede de ensino estadual. Para a deputada, a UNE tem uma importância histórica na representação da rebeldia e do inconformismo da juventude:
“Não podemos dar prosseguimento a uma CPI de cunho eminentemente político, perseguidor, que é tão somente uma retaliação a uma entidade que cumpre muito bem o seu papel de representar os estudantes.”
Edilson Silva alertou para a tentativa de criminalização dos movimentos sociais no Brasil:
“Essa ofensiva do senhor Cunha contra a UNE se coaduna com um conjunto de medidas arbitrárias e que visam, única e exclusivamente, criminalizar os movimentos sociais do nosso país, num momento em que a sociedade brasileira clama ainda mais por democracia. E não existe democracia viva, pujante, sem que os movimentos sociais possam atuar livremente.”
Na reunião plenária dessa quinta, o deputado Odacy Amorim, do PT, também condenou a abertura da CPI da UNE.

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