A CPI das Faculdades Irregulares também vai investigar a oferta de supostos mestrados internacionais em Pernambuco. Até o início de março, o colegiado analisou um esquema de cursos de extensão ilegais ofertados no Interior do Estado.
A necessidade de também investigar os cursos de pós-graduação veio à tona após o depoimento de Marcos Lima nesta quarta. Ele é sócio da Fadire, uma das principais suspeitas do esquema de cursos de extensão ilegais investigados pela CPI.
Marcos Lima declarou ter criado uma empresa no estado da Flórida, nos Estados Unidos, a Anne Sullivan University, para oferecer mestrados à distância. Os integrantes da CPI suspeitam que o curso usa um esquema semelhante ao da extensão irregular, como explica o vice-presidente do grupo, deputado Miguel Coelho, do PSB. “Eles estão fazendo o mesmo processo de fraudar um curso de graduação. Estão fraudando um curso de mestrado, ainda mais vendendo como mestrado internacional. A gente está chegando a um outro nível de agressão, um outro nível de crime, e um nível de maior repercussão, de maior gravidade também, até porque a gente vê pessoas que passam 30 meses pagando uma mensalidade de mais de 300 reais para, no futuro, ter um papel que não vale nada mais que uma folha de A4.”
Para a relatora do colegiado, deputada Teresa Leitão, do PT, esses cursos podem não ter qualquer validade no Brasil. “O modelo de extensão, agora, está ganhando essa dimensão internacional. A gente já vinha combatendo os cursos chamados piratas, de diplomas adquiridos no exterior, por universidades que não são reguladas. Inclusive isso aqui não passou ainda. Tem um projeto de lei tramitando no Senado, para validar esses cursos, e há muita cautela para que esses cursos, mesmo presenciais, lá no exterior, sejam validados.”
A CPI das Faculdades Irregulares ouviu outras três pessoas nesta quarta. De Araripina, no Sertão do Araripe, a sócia da Wej Consultoria, Eva Oliveira, declarou que não oferece cursos de extensão, mas ajudou na divulgação e inscrição de alunos para faculdades na Bahia.
De Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, o sócio do Cempe, Aristóteles Lima, afirmou que continua a oferecer cursos de extensão na sede, e também em Tacaratu e Petrolândia, no Sertão de Itaparica, em parceria com a Funeso.
O diretor do Isead, Wagner Frazão, negou a oferta de cursos de extensão em Pernambuco. Ele detalhou a parceria da empresa com a Universidade do Vale do Acaraú, a Uva, do Estado do Ceará.
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