A fábrica Portela, situada em Jaboatão dos Guararapes, vem cometendo diversos crimes contra o meio ambiente naquele município. A tradicional indústria de papel e celulose foi, inclusive, responsável pela morte do rio Jaboatão. A denúncia foi feita pelo deputado Geraldo Melo (PMDB) na tribuna da Assembléia Legislativa.De acordo com o parlamentar, a emissão de gases poluentes mais de mil toneladas por dia por parte da Portela está transformando a vida dos jaboatãoenses num verdadeiro caos. Para Geraldo Melo, o que é mais grave ainda é a total impunidade pelos crimes cometidos.”Se tal situação não for controlada vai causar a morte de várias pessoas em Jaboatão. Não é possível que as autoridades continuem inertes”, afirmou. Segundo Melo, nos últimos meses, a emissão de gases e resíduos sólidos no ar do município alcançou índices jamais presenciados, já que a produção da fábrica foi aumentada e seu parque industrial está fora das especificações atuais de controle da poluição ambiental.”O que mais me preocupa é a chegada do inverno, quando ocorre o fenômeno da inversão térmica, que impede a dispersão dos poluentes”, revelou o parlamentar. Ele alertou os deputados da Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa sobre a denúncia e pediu que os mesmos fizessem gestões para sanar o problema.Geraldo Melo também apresentou indicação para que se exija do CPRH o cumprimento de seu papel fiscalizador. “É preciso que se explique à sociedade porque os prazos concedidos por esse órgão à Portela para as soluções vêm, há mais de um ano, sendo prorrogados”, questionou o deputado.
Ele ainda pediu notificação do caso junto ao Ministério Público estadual e federal para as providências legais.Apartes Em seu pronunciamento, o parlamentar foi aparteado pelos deputados Pedro Eurico (PSB), José Queiroz (PDT), João Paulo (PT) e Diniz Cavalcanti (PSB). Para Eurico, a Portela já deveria ter sido fechada. Queiroz defendeu a proteção do meio ambiente. João Paulo lamentou os prejuízos provocados à saúde da população. Diniz denunciou também os crimes ambientais cometidos contra o rio São Francisco. (Marconi Glauco)